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22/04/2011

Momentos de verdade



Talvez seja mesmo o melhor jornalista português na área de economia, como se afirma. Mas a meu ver o que é importante é que é o único a fazer chegar-nos a verdade, sem paninhos quentes, com sobriedade, profundo conhecimento, e de uma forma extremamente construtiva pois aponta caminhos e soluções. Este homem tem que ser ouvido pelos portugueses.

01/03/2011

Islândia, revolução no feminino

Revolução pacífica na Islândia, silêncio dos media

Por incrível que possa parecer, uma verdadeira revolução democrática e anticapitalista ocorre na Islândia neste preciso momento e ninguém fala dela, nenhum meio de comunicação dá a informação, quase não se vislumbrará um vestígio no Google: numa palavra, completo escamoteamento. Contudo, a natureza dos acontecimentos em curso na Islândia é espantosa: um Povo que corre com a direita do poder, sitiando pacificamente o palácio presidencial, uma "esquerda" liberal de substituição igualmente dispensada de "responsabilidades" porque se propunha pôr em prática a mesma política que a direita, um referendo imposto pelo Povo para determinar se se devia reembolsar ou não os bancos capitalistas que, pela sua irresponsabilidade, mergulharam o país na crise, uma vitória de 93% que impôs o não reembolso dos bancos, uma nacionalização dos bancos e, cereja em cima do bolo deste processo a vários títulos "revolucionário": a eleição de uma assembleia constituinte a 27 de Novembro de 2010, incumbida de redigir as novas leis fundamentais que traduzirão doravante a cólera popular contra o capitalismo e as aspirações do Povo por outra sociedade.
Quando retumba na Europa inteira a cólera dos Povos sufocados pelo garrote capitalista, a actualidade desvenda-nos outro possível, uma história em andamento susceptível de quebrar muitas certezas e sobretudo de dar às lutas que inflamam a Europa uma perspectiva: a reconquista democrática e popular do poder, ao serviço da população.

http://www.cadtm.org/Quand-l-Islande-reinvente-la

Desde Sábado 27 de Novembro, a Islândia dispõe de uma Assembleia constituinte composta por 25 simples cidadãos eleitos pelos seus pares. É seu objectivo reescrever inteiramente a constituição de 1944, tirando nomeadamente as lições da crise financeira que, em 2008, atingiu em cheio o país. Desde esta crise, de que está longe de se recompor, a Islândia conheceu um certo número de mudanças espectaculares, a começar pela nacionalização dos três principais bancos, seguida pela demissão do governo de direita sob a pressão popular. As eleições legislativas de 2009 levaram ao poder uma coligação de esquerda formada pela Aliança (agrupamento de partidos constituído por social-democratas, feministas e ex-comunistas) e pelo Movimento dos Verdes de esquerda. Foi uma estreia para a Islândia, bem como a nomeação de uma mulher, Johanna Sigurdardottir, para o lugar de Primeiro-ministro.

http://www.parisseveille.info/quand-l-islande-reinvente-la,2643.html

18/01/2011

Upgrading politics

“Não podemos resolver os problemas de hoje com a mesma mentalidade com que foram criados”. Disse Einstein.

Se apostarmos nos mesmos políticos que há anos se encontram institucionalizados e viciados nas mesmas formas de actuação e gestão, compadrios e conluios, muito dificilmente teremos uma governação upgraded.

Mesmo que viessem os vampiros – agora tão em voga – sugar-lhes o sangue, a ver se lhes nascia novo, tinha as minhas sérias dúvidas. Isto já não vai com transfusões; nalguns casos teriam que ser lobotomias totais; noutros casos, um resurfacing mental (resurminding, portanto) poderia ser o suficiente para um update, mas nunca para um upgrade.

Quando eu ainda acreditava no pai natal, achava que se os governos fossem holísticos a governação seria quase perfeita. Imaginava eu que seria possível criar uma partido único – holístico – com as melhores pessoas de cada partido, não havendo nenhum com mais representatividade do que outro (acabando-se logo com a primeira fonte de discórdia).  Se algum dos constituintes do PH fosse apanhado em incumprimento de promessas, em compadrios, favorecimentos, ou qualquer forma de corrupção, seria automaticamente substituído por outro representante do respectivo GP (grupo partidário) que o havia nomeado. Para além disso, ficaria sujeito à pena mínima obrigatória de um ano, a prestar serviço cívico e a auferir o salário mínimo nacional (a pena seria sempre decidida por referendo nacional e poderia ser mais longa, mas nunca reduzida) e nunca mais poderia concorrer a representante do seu GP.

Hoje, já mais crescidinha, é-me tão fácil acreditar no gordinho de fato vermelho, como nos “melhores” de cada partido: ambos são ficção.

E é a minha maior convicção de que este país só teria a ganhar se esta classe política utilizasse o pingo de vergonha na cara que lhes resta e se pusesse a andar (demitam-se, reformem-se, o que quiserem). Como talvez dissesse o Manuel Moura dos Santos, se presidisse a um casting governamental, “vocês de política não pescam nada, arranjem outra actividade, vão cavar batatas por exemplo”.

E como estou verdadeiramente cansada do patriarcado – na política, no tecido empresarial, na igreja, na cultura – pela demonstração excessiva daquilo que (não) vale, anseio a que nos próximos anos o upgrade da nossa sociedade se faça pela energia feminina. Urge, urge, urge!

 

18/11/2010

Alergias, dermatites e chatices

Ora aqui está um assunto que eu nunca tinha abordado.
Desde miúda que sou alérgica ao pó, ao pólen, a fungos e humidade, à prata, ao níquel e a alguns tipos de detergentes e amaciadores. Lembro-me que não aguentava brincos, nem colares e pulseiras, sem ficar cheia de eczemas e prurido. De tanto coçar-me ficava repleta de feridas. A pequena fivela do relógio de pulso era suficiente para me fazer um eczema. Os sintomas eram localizados à área de contacto daquelas substâncias (orelhas, pescoço, pulso), mas foi suficientemente incómodo para eu conseguir avaliar o sofrimento de um bébé vítima de atopia.
Na idade adulta atenuaram-se essas alergias (apesar de ter reincidências ocasionais nas orelhas por causa dos brincos), mas surgiu-me outra, uma enorme sensibilidade (que só recentemente percebi que era alergia) a determinadas fibras da roupa interior, e até a pensos e tampões, que em contacto directo com a pele me causavam um triste e terrível desconforto. E no último ano, então, agudizou-se a rinite alérgica (isto aconteceu de uma forma generalizada e ao que parece teve causas ambientais).
Todas estas reacções alérgicas ou de hipersensibilidade são provocadas por vários factores, não só externos, mas também associados à alimentação e a causas emocionais (como o stress, que fragiliza as defesas do organismo). E se contra umas não podemos fazer nada, contra outras existem alternativas, nomeadamente no que concerne os tecidos e materiais utilizados no contacto directo com a pele. Habitualmente, quando nos deparamos com um distúrbio na saúde, varmos logo comprar remédios para reduzir os sintomas, sem procurarmos minimizar as causas. À conta disso já usei muitas bisnagas de cremes e anti-histamínicos. Não digo que se tornam totalmente dispensáveis - acredito que nalguns casos sejam mesmo necessários - mas podem ser reduzidos (no meu caso, um deles foi mesmo eliminado).
Recentemente entrei em contacto com uma nova marca nacional – Vicky C.O. - em algodão orgânico natural de cultura biológica, sem recurso a pesticidas, nem a branqueamentos, nem a tintas, que é hipoalergénico e reduz em muito o desconforto das peles sensíveis e atópicas dos bebés (e reduz às mães a preocupação e angústia).
E foi por acaso que, por seu intermédio, numa pesquisa, encontrei finalmente uma marca de tampões e pensos, também em algodão orgânico natural, que fazem TODA a diferença! Foi uma descoberta tardia, hão-de dizer-me, porque esta linha já existe desde 1989 – a Natracare – mas calhou só a descobrir recentemente e foi uma descoberta mesmo feliz. E posso dizer-vos onde comprei, na "Miosótis", em Lisboa.

Não sou de fazer publicidade a marcas ou lojas, mas há projectos responsáveis e de filosofia ecológica que merecem ser difundidos. Tenho ali ao lado uma coluna onde realço o planeta terra como a casa que nos acolhe e que precisa de ser cuidada. Ora, a preservação e sustentabilidade da nossa casa e das nossas sociedades, encontra resposta no empreendedorismo responsável de quem avança com pioneirismo em projectos que garantam a preservação do planeta e da nossa saúde. Mencionei a portuguesa Vicky C.O. e a inglesa Natracare, a título de exemplo, mas sei que muitas outras avançam nesta senda e é nosso dever apoiá-las, por oposição às empresas e indústrias que exploram abusivamente o nosso planeta, secando-o, contaminando-o e destruindo-o com substâncias químicas que provocam a morte de seres humanos e de espécies diversas.

10/11/2010

Mais não é demais

E porque realmente a cada dia que passo me surpreendo, hoje a notícia de que Pedro Baptista, cientista português, conseguiu criar o primeiro fígado humano em laboratório.

Este país não é para crises

Uma das razões porque me mantive calada nos últimos meses – e dou-me conta disso agora – foi para observar a movimentação disto a que chamam crise e tentar perceber se o melhor é ficar quietinha e ver o copo meio vazio, ou seguir a visão do copo meio cheio.
Opto pela segunda e digo-vos, não acredito na crise; pelo menos, não nesta com que nos querem contaminar e muito menos nos moldes em que a (des)informação passa. A crise que realmente me assustou foi a que decorreu nos últimos 20 anos: uma crise de estupidez financeira generalizada, de uma cabotina falta de visão, de um excesso de fartura e consumismo, de uma cegueira perdulária e deslumbrada – típicos de quem sai das “berças” (e que a metáfora da ideia me desculpe a expressão preconceituosa) para a grande cidade e quer ocultar por todos os meios o seu provincianismo.
Penso que não estávamos preparados nem educados para viver e respeitar a abundância, nem existiam estruturas politico económicas, nem mentalidades maduras que criassem sustentabilidade na riqueza.
A crise, essa, foi vivida nos momentos áureos do capitalismo impositivo, do facilitismo dos cartões de crédito, dos leasings, dos rentings, dos marketings instigadores de consumo e afins (sem esquecer que por detrás, na causa das coisas, está uma lacuna brutal de informação, educação e responsabilidade social). O que se vive hoje – a meu ver – é o resultado dessa crise.
A crise está resolvida – quanto a isto, amigos, não há crise – já estourámos tudo e mais um par de botas e, como tal, acabou-se. Agora temos é que viver com as sequelas e repensar os paradigmas pelos quais nos queremos pautar no futuro. Somos os “consumistas heróicos” – usando a terminologia do psicólogo e autor Vítor Rodrigues – aqueles que gastaram a rodos e se deslumbraram com empáfia e sofreguidão, mas que acabam por ser sobreviventes do seu próprio desnorteio materialista. Se anteriormente permitimos a emergência de uma (i)realidade que não estávamos orientados para gerir e o resultado está à vista, temos agora todas as condições e conhecimento para fazermos das fraquezas, força e da ignorância, sabedoria, O que não nos derrubou, fortaleceu-nos.
Estamos no momento e no sítio certo. Do caos nasce a ordem e Portugal não é a cauda da Europa onde se acumulam os detritos – como às vezes nos querem fazer pensar – mas um rosto aberto para o mundo, o país que dá cara à Europa, o precursor do V Império (numa óptica mais profética) e nas palavras de Al Gore – que passou por cá há umas semanas e sem qualquer razão para adulações – o país mais verde da EU. Nós estamos realmente à frente, muito à frente! Portugal é um país onde é bom viver, digam o que disserem.
Não faço apelo ao orgulho estúpido e nacionalista, mas sim ao contacto com a verdade, à tomada de consciência do valor das nossas competências individuais e das nossas obras colectivas. Não precisamos efectivamente que venham de fora dizer-nos quem somos. Temos que ser capazes de ser os primeiros a lançar sobre nós próprios um olhar crítico de reconhecimento, tolerância e justiça. Que todas as obras e todos os esforços dos que se empenham e vão abrindo caminho, nos sirvam de motivação e estímulo. É esse o tributo que lhes devemos.
A cada dia que passa, mais me surpreendo com os aspectos evolutivos de áreas tecnológicas e científicas em que participamos e que desenvolvemos. Andou novamente a circular um email com um artigo escrito por Nicolau Santos, elencando aspectos que nos enobrecem enquanto cidadãos deste país e que devem servir de ponto de reflexão para a reconstrução da nossa identidade e validade comunitária, a nível local e global. É importante que de quando em quando nos relembremos que já muito se construiu e se fez neste pequeno rectângulo e que não há crise para os espíritos sagazes, empreendedores e combativos. A crise é para espíritos falhos e negligentes, que não percebem que temos em mãos uma oportunidade única de regeneração.
O segredo é não deixarmos que a crise empate, mas que a sabedoria avance.

20/06/2010

O quinto vôo da borboleta

A delicadeza de um símbolo em papel, que ele me ofereceu.
Neste dia em que uma borboleta é mais do que um fim de ciclo, ou um bater de asas.
É o quinto ano de um vôo para o eterno, de uma saudade que se faz sempre nova, de memórias que assomam como visões etéreas, quase irreais.
Perceber que já tudo foi, que naquele dia a vida mudou, definitivamente.
Muito, tanto, se perdeu... Nada jamais será a mesma festa, os mesmos risos, os mesmos afectos, a casa cheia, de gente, de lágrimas, de música, de gritos, de vida!
Dessa vida que ela tanto amou, apaixonadamente.

19/06/2010

Histórias de viagem

Tenho uma mnemónica indissociável da atribuição do Nobel a José Saramago. Éramos um pequeno grupo de oito pessoas, em Outubro de 1998, em viagem pelo Peru. E naquela noite, na cidade de Cuzco, andávamos cansados à procura de um restaurante ainda aberto, que fosse minimamente apelativo para um jantar tardio. E ali aterrámos. E assim que o gerente percebeu que éramos portugueses, deu-nos os parabéns e foi buscar o jornal para nos mostrar a notícia. E assim soubémos, olhando a fotografia do escritor sobre a parangona da conquista do prémio Nobel da literatura, que Saramago tinha sido galardoado.

Um ano depois, em Outubro de 1999, éramos um grupo de dezasseis numa viagem nocturna de comboio, de quase dezassete horas, de Hannoi a Hué, no Vietname. Um comboio a cair de maduro, um serviço de bar miserável, um calor húmido que nos prostrava. Estava feita a promessa de uma longa e difícil noite. Alguém disse vamos beber para esquecer. Pingaram umas cervejas daqui e dali, ao que o guia Chris juntou uma garrafa do potente vinho-de-cobra. Foi um clique para a boa disposição, as anedotas, a paródia. Cantou-se muito e bebeu-se demais, o suficiente para soltar a fadista que há em mim e esgoelar-me nuns fados da Amália Rodrigues.
No dia seguinte, num telefonema para a família, soube que o meu sobrinho tinha nascido e a Amália tinha morrido.

E ontem, quando um dos meus companheiros de viagem me disse estou a ligar-te por causa do Saramago, lembro-me sempre da viagem ao Peru quando se fala dele, percebi que as memórias de viagem não são privadas, são também o memorial de uma história colectiva.

18/06/2010

O imperativo masculino

Seja como for amor existe e vale a pena (...) Depois é... ter juízo quando realmente acontece, a dois, com pés e cabeça. E é nisso que mais falhamos. No juízo. Até porque hoje em dia estamos formatados para pensar apenas o "melhor para mim", o que qualquer criatura inteligente sabe ser dicotómico face ao amor. Quem quer o melhor para si dificilmente amará "à campeão". Quem ama de forma saudável sabe que a coisa não tem nada a ver com o sucesso do princípio individualista do "melhor para mim". Capitão Microondas

Retirei estas palavras de uma caixa de comentários onde foram deixadas. Achei interessantes por virem de um homem, porque demonstram inteligência na objectivação do maior problema de uma relação que é o Eu versus o Nós, coisa que é rara na versão masculina.

Porque são maternalmente educados na óptica do receber e não do dar, os homens são os primeiros a porem as suas necessidades acima das necessidades da relação. Primeiro do que tudo estão eles, os seus desejos, o seu trabalho, as suas distracções, os seus timings, os seus compromissos com os outros. Depois vem a relação, que é assim um lugar sem prioridade e sem compromisso, onde se vai quando não se tem mais nada para fazer e que se espera seja uma espécie de oásis com uma espécie de gueixa que não levante muitas questões, nem dê muito trabalho. É um lugar para relaxar, que tem que estar sempre 100% disponível para acolhê-los. Não é um lugar de atenção ao outro, é apenas one-way receiving. É um lugar de onde eles querem tirar sem ter que pôr, é o ventre materno de que eles se alimentam até secar. É um lugar em que eles conjugam o "eu" como um verbo no imperativo. É um lugar onde qualquer mulher inevitavelmente se cansa de estar, quando percebe que já não lhe falta nenhum cromo na colecção de "nãos". E é um lugar onde infelizmente não existe livro de reclamações.

06/06/2010

Estados de alma

























Triste, pela morte do escritor João Aguiar, aos 66 anos.
Enriquecida, pelos ecos da nossa história que me chegaram pela sua mão.
“A Voz dos Deuses”, A Hora de Sertório”, “O Trono do Altíssimo”.
Preciosos momentos de leitura na minha vida e um enorme contributo ao romance histórico português.
Sem palavras, o meu agradecimento, admiração e louvor.

31/05/2010

O fim do Hospital de Dona Estefânia

Já começa a chatear tanto disparate governamental!

O Ministério da Saúde quer encerrar o Hospital de Dona Estefânia, fazendo com que as crianças passem a ser tratadas nos serviços do futuro hospital geral de adultos que substituirá todos os hospitais civis de Lisboa (Hospital de Todos os Santos - Marvila/Chelas).

A "Plataforma Cívica em Defesa de um Novo Hospital Pediátrico para Lisboa", defende que então também seja construído um novo hospital pediátrico servido por profissionais inteiramente dedicados à criança, a fim de evitar o retrocesso técnico, ético e civilizacional, proposto pelo Ministério.

E mais, convoca-nos a não permitir que o actual espaço do Hospital Dona Estefânia seja sacrificado aos interesses imobiliários, mas que se mantenha dedicado à criança e às instituições que a apoiam, conforme o desejo da Rainha fundadora que há 150 anos o doou à Cidade.

A Cidade é de quem? Dos cidadãos, ou de alguns políticos que insistem em cometer erros que teremos de pagar mesmo depois de terminados os seus mandatos?

25/05/2010

Histórias de paixão



Acredito na transformação do mundo pela força e criatividade da energia feminina, seja qual for o seu veículo. Isto significa que não sou feminista, que reconheço e admiro nos homens a capacidade de se ligarem à sua intuição, sensibilidade ideológica e racionalismo passional (por mais paradoxal que isto possa parecer) e destaco algumas das grandes figuras históricas que nos são mais próximas e que para mim são referências desse apostolado, Jesus Cristo, Gandhi, Dalai Lama, Martin Luther King, Nelson Mandela, entre outros.

Creio, no entanto, que o que nos faz cair facilmente num discurso mais enfático sobre a energia do feminino conduzida por mulheres é, por um lado, o facto de as sociedades patriarcais imperarem há demasiado tempo, levando a que a sua dominação milenar priveligie o desenvolvimento social e tecnológico com base na posse, na guerra, na produção, na rentabilidade e no lucro - construindo depois sobre isto um modelo de vida, uma estrutura de família e uma rede afectivo-social - destituindo assim as sociedades do seu equilíbrio humano natural, que seria exactamente o oposto. E por outro lado, o facto de o excesso de energia masculina na política, nas guerras, na indústria do armamento, nas religiões, na gestão de empresas, na filosofia, já ter provado que causa muitos danos.

O mundo até hoje tem sido gerido pela energia do masculino. E até no céu Deus, anjos e espíritos, sempre foram interpretados no masculino.

Ao contrário da Joana Amaral Dias (que apesar do look Barbie, deve ter tomado pílulas de masculinidade à nascença), eu considero que faria muita diferença se cada vez mais as mulheres ocupassem lugares determinantes neste mundo. E isto apenas porque parece que está a ser muito difícil aos homens integrarem a sua energia feminina e fazerem da nossa história um lugar de sabedoria e paixão.

E eu que detesto política!

Alguns vivem no la la land, não fazem qualquer sacrífício e ainda nos querem vender a ideia de que as coisas não estão assim tão mal. O povo, esse, é que já não vai em cantigas, porque mudam-se os tempos e vêm outras vontades, mas tudo continua a sair-lhe do pelo.
Este orçamento, que anda a ser divulgado por e-mail, é inaceitável numa época em que nos pedem tanta contenção. Porque não nos dão o exemplo os senhores deputados e demais figuras governamentais? Porque não seguem o nobre exemplo dos colegas suecos?

Poderão aceder através do site
http://www.dre.pt
Diário da República nº 28 – I série- datado de 10 de Fevereiro de 2010 – RESOLUÇÃO da Assembleia da República nº 11/2010
Algumas rubricas do orçamento da Assembleia da Republica

1 – Vencimento de Deputados ………………………12 milhões 349 mil Euros
2 – Ajudas de Custo de Deputados……………………2 milhões 724 mil Euros
3 – Transportes de Deputados ………………………3 milhões 869 mil Euros
4 – Deslocações e Estadas …………………………2 milhões 363 mil Euros
5 – Assistência Técnica (??) ………………………2 milhões 948 mil Euros
6 – Outros Trabalhos Especializados (??) ……………3 milhões 593 mil Euros
7 – RESTAURANTE,REFEITÓRIO,CAFETARIA…………..961 mil Euros
8 – Subvenções aos Grupos Parlamentares……………..970 mil Euros
9 – Equipamento de Informática …………………….2 milhões 110 mil Euros
10- Outros Investimentos (??) ……………………..2 milhões 420 mil Euros
11- Edificios ……………………………………2 milhões 686 mil Euros
12- Transfer’s (??) Diversos (??)………………….13 milhões 506 mil Euros
13- SUBVENÇÃO aos PARTIDOS na A. R. ………………16 milhões 977 mil Euros
14- SUBVENÇÕES CAMPANHAS ELEITORAIS ….73 milhões 798 mil Euros

NO TOTAL a DESPESA ORÇAMENTADA para o ANO de 2010, é € 191 405 356,61 (191 Milhões 405 mil 356 Euros e 61 cêntimos) – Ver Folha 372 do acima identificado Diário da República .
Cada deputado, em vencimentos e encargos directos e indirectos, custa ao país cerca de 700.000 Euros por ano. Ou seja cerca de 60.000 Euros mês.

"Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar"
Sophia de Mello Breyner

21/05/2010

Maio teu


Mais um dia, o teu.
Maio em flor, maduro ou verde.
Que importa se o tempo se esfuma e nos abandona na primavera
onde nos tecemos.
Que importa o outono, o inverno, se antes deles fizémos a festa da
cor e do mar.
Que seja essa a cumplicidade, o corpo fechado na sua veste e a
alma sorrindo-se de eternidade.