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29/12/2012

Alteração do Estatuto Jurídico do Animal Em Portugal

A vossa atenção para este movimento tão importante! PEDEM-SE TODAS AS ASSINATURAS POSSÍVEIS ATÉ AMANHÃ, DIA 30 DE DEZEMBRO

DÊEM O VOSSO APOIO AO MOVIMENTO DE PAULO [BORGES]

ALTERAÇÃO DO ESTATUTO JURÍDICO DO ANIMAL

"Este Movimento visa alterar o estatuto jurídico do animal no Código Civil, reconhecendo-o como um ser senciente, capaz de sentir dor e prazer psicofisiológicos.

Reconhecer a senciência do animal e deixar de o considerar como uma "coisa móvel" é o principal passo para proibir e punir os tremendos maus-tratos a que são sujeitos os animais em Portugal."



ASSINEM, PARTILHEM, DIVUlGUEM! Em nome do AMOR.





22/04/2012

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Versão integral de um filme imperdível sobre a nossa criação, a vida, e a casa que nos acolhe.

17/03/2010

Coisas que não somos

Alguns meses antes de a minha mãe morrer (ainda nem estava diagnosticado o cancro), participei numa formação sobre estas questões e percebi de uma vez por todas como é importante falar da morte sem rodeios, sem considerar que é mórbido ou um assunto tabu. Sinceramente, perdi a tolerância para estas atitudes de "faz de conta".

Já aqui falei sobre isto. A minha mãe era uma pessoa muito activa e imaginativa, e em tudo quanto era folha de papel, blocos, agendas, caderninhos, escrevia projectos, histórias, pensamentos, experiências de vida... E coleccionava coisas de viagens, guardanapos, pratinhos, souvenirs. Guardava tudo. Esse apego é contagioso, porque quando alguém morre, quem fica apega-se a essas mesmas coisas, porque personifica nelas o ente querido, e é um grande sofrimento libertar-se delas. Por isso, entre outras coisas, pedi-lhe que organizasse a sua papelada, que deitasse fora o que era supérfluo, porque iria custar-nos muito decidir o que fazer-lhes, quando ela morresse.
Valeu-me o facto de ela ser uma pessoa sensível a estas questões, só não me valeu o curto tempo que teve para cumpri-las. Mas mesmo assim, alguma coisa foi feita e o simples facto de termos falado sobre o assunto deu-me maior liberdade de acção.

Olho à minha volta e vejo que estou perante um ambiente análogo. Papéis, recortes, canetas, revistas, chaves, fios, caixas cheias de tudo e de não sei quês... Ele identifica-se com as suas coisas como partes integrantes da sua identidade, o que, a meu ver, o leva à crença de que não pode viver sem elas, de que se sentirá desvinculado de si mesmo na sua ausência.
Como poderei então eu, algum dia, desapegar-me da sua identidade, do que ele é?
Quanto a mim, quando eu morrer pode ir tudo para o lixo, mesmo as coisas de que mais gosto. As coisas só valem pela utilidade que têm enquanto eu viver aqui, depois deixam de me ser úteis e não me revejo, nem me quero perpetuar nelas. O que fui, sou, está no que fiz, não no que tenho e nem sequer nas minhas palavras.

15/03/2010

Vida e morte, o par eterno

Pergunto-me inúmeras vezes se quando falamos de vida e morte sentimos mesmo de que se trata apenas de um ciclo. Aceitamos quase poeticamente os ciclos de finitude e renascimento sucessivos da natureza - os Outonos e Primaveras que nos encantam - mas temos imensa dificuldade em aceitar essa finitude para nós próprios.

Aprendemos, ao longo da História, que todas as civilizações tiveram tradições espirituais e religiosas que acreditavam na vida para além da morte. Mas apesar de algumas dessas tradições ainda subsistirem, na sociedade moderna a crença profunda perdeu-se do colectivo cultural e não sustenta o nosso caminhar. Nós não somos efectivamente criados e orientados nesse acreditar, já não nos está na massa do sangue.
Quanto maior for o apego às coisas materiais, menor é a disponibilidade para as questões do espírito. De alguma forma isto explica-me porque se afastaram as sociedades de consumo das crenças filosofico-religiosas. Os deuses de agora são outros.
Talvez por isso nos amedrontemos tanto face à morte e, particularmente no ocidente, seja tão constrangedor pensar,  falar, ou mesmo encarar a sua presença.  Falta-nos o sentido. Por isso fazemos como a avestruz, enterramos a cabeça na areia e recusamos vê-la. É como se ela não fizesse parte da vida.
No entanto, o que dá sentido à nossa vida é, em última análise, o que dá sentido à nossa morte. Cumprimo-nos e fechamos o ciclo. Estarmos bem connosco e com os outros é tão essencial para a harmonia da nossa vida, como é vital para a serenidade necessária nos últimos momentos. Necessária para quem parte, para que parta com a consciência de missão cumprida; e para quem fica, para que viva com a consciência de que fez o que estava ao seu alcance e faça o seu luto em paz.

Se interiorizarmos que a morte pode chegar a qualquer momento os nossos dias serão mais ricos, porque essa consciencialização faz a diferença e leva-nos a conferir maior intensidade à nossa vivência, a buscar a nossa plenitude, a procurar curar e nutrir os nossos vínculos afectivos, a dar prioridade ao que dá sentido à nossa existência. Inclusivamente, confere-nos maior sentido prático em assuntos que poderão ser problemáticos para quem nos sobrevive.
E isto só é possível pelo afecto, pelo diálogo, pelo desfazer de tabus e preconceitos, e pelo confronto com o medo.

"Viver Não Dói" (Excerto)
Carlos Drummond de Andrade

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.
(…)
A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-nos do sofrimento,
perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável,
O sofrimento é opcional.

26/10/2009

O lugar das pedras

Conta-se que um professor universitário levou para a sala de aula alguns objectos com os quais pretendia apresentar aos seus alunos uma metáfora das prioridades da vida. Os objectos eram pedras grandes, seixos, areia, água e uma taça de vidro. Pôs a taça em cima da mesa e escondeu os restantes objectos.


Quando os alunos o fixaram, disse “Esta taça representa a nossa vida”. Baixou-se, pegou numa pedra grande e colocou-a lá dentro. Em seguida, perguntou aos alunos "Cabe mais alguma coisa aqui?". "Sim", responderam. Mais um vez baixou-se, pegou em mais duas pedras grandes, colocou-as na taça e perguntou "Ainda cabe mais?". E os alunos responderam que não, porque a ponta de uma das pedras já estava fora da taça.
Então o professor baixou-se novamente, pegou em alguns seixos e areia, e começou a pô-las dentro da taça. Os seixos e a areia começaram a passar pelos intervalos das pedras grandes e ficaram no fundo da taça. E o professor perguntou mais uma vez: "Acham que ainda cabe mais?". Os alunos ficaram em silêncio, indecisos, aguardando o próximo movimento do professor.
Ele então deitou a água por cima de tudo. A água foi passando pelos intervalos dos demais objectos até chegar ao fundo da taça. O professor, com um sorriso, disse aos alunos: "Viram? Coube tudo!". Eles permaneceram em silêncio, expectantes do que se seguiria. O professor perguntou, "Alguém pode dizer-me o que tentei transmitir-vos nesta aula?".
Um aluno levantou a mão e disse: "Tentou mostrar-nos que há sempre tempo para tudo, que mesmo quando achamos que não temos tempo para nada, se nos esforçarmos conseguiremos encontrar um tempinho".
O professor respondeu: "Não, não foi essa a minha intenção. O que eu quis transmitir é que na vida há coisas que devem ter prioridade. As pedras são os nossos pilares, a família, o amor, a saúde. Se tudo o resto se perdesse, ainda assim a vida estaria cheia.

Quando pus primeiro as pedras grandes, em seguida os seixos, depois a areia e por fim a água, estava a demonstrar que há uma ordem natural nas prioridades. Se eu a invertesse e pusesse primeiro a água, a areia e os seixos, quando quisesse pôr as pedras não haveria espaço e a água transbordaria. E assim correria o risco de não ter espaço para o que é mais importante.
Se tivermos bem assentes as bases, todas as outras coisas encontrarão o seu lugar na nossa vida.”

(autor desconhecido)





24/05/2009

Pessoa, sempre...

"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."



Ricardo Reis

21/11/2008

Eutanásia e Cuidados Paliativos

Eutanásia: Afinal de que falamos?
Por Drª Isabel Galriça Neto
(Médica de Cuidados Paliativos, directora da Unidade de CP Hospital da Luz, assistente da Faculdade de Medicina de Lisboa)

Para alguns a eutanásia é a resposta correcta para o sofrimento insuportável das pessoas que, tendo doenças incuráveis e numa fase final da sua vida, entendem não querer continuar a viver.
A eutanásia inclui sempre o acto de provocar a morte numa pessoa gravemente doente, no fim da sua vida, e a pedido desta. Os seus defensores dizem que é uma resposta a reservar apenas para situações excepcionais.

A eutanásia não é a recusa de tratamentos desproporcionados, ditos fúteis, e a eutanásia não é a suspensão desse tratamentos. Com efeito, a recusa ou suspensão de tratamentos desproporcionados é uma boa prática médica, já recomendada e aprovada recentemente em código deontológico. A eutanásia também não é a administração de medicamentos opióides e sedativos, quando a intenção é aliviar o sofrimento. Por outro lado, é inútil associar a eutanásia a vagos conceitos como "morte assistida", "morte digna", "boa morte serena", pois isso só contribui para confundir a opinião pública, com expressões que são tópicos sentimentais e susceptíveis de aludir a muitas outras actuações, de âmbito e natureza diferente da da eutanásia. A realidade do sofrimento em fim de vida preocupa e assusta, e isso é natural e compreensível. Todos queremos garantir para o final dos nossos dias a tranquilidade de um tempo sem dores, sem mal-estar e encerrar serenamente a nossa vida, em paz connosco, com o mundo e com os que nos são queridos.

Os que trabalhamos com doentes em fim de vida e seus familiares sabemos que a larga maioria nos diz: "Eu não tenho medo de morrer, tenho é medo de sofrer!" As pessoas querem habitualmente viver, viver com dignidade e só um sofrimento insuportável as fará desejar morrer, e mais, as fará desejar que as matem.

Os portugueses precisam saber que têm hoje uma resposta técnica e humanizada da medicina para essas situações de sofrimento e que se chama "cuidados paliativos". Estes cuidados de saúde, prestados por equipas de profissionais e voluntários devidamente especializados, promovem a qualidade de vida e a dignidade, respeitam a vida (não a encurtam) mas também respeitam a inevitabilidade da morte (e por isso não prolongam artificialmente a vida).

Isto é: no mundo actual e moderno, a medicina tem meios para mitigar o sofrimento humano, não o deixando tornar-se intolerável e sem manter as pessoas vivas a qualquer custo. Esta é uma resposta não para casos excepcionais, mas "a" primeira resposta nos cuidados de saúde para os que têm doenças graves e incuráveis, que pode e deve ser prestada muito antes dos últimos dias de vida. Se não houver acesso e, sobretudo, se não houver informação sobre cuidados paliativos, a escolha sobre o que queremos para o fim dos nossos dias será feita de forma imperfeita e deturpada, sem estar na posse dos mais recentes dados sobre a matéria. Não se trata de contrapor a "alternativa cuidados paliativos" à "alternativa eutanásia": qualquer que seja a nossa posição sobre a eutanásia, todos devemos ter acesso aos cuidados paliativos. Demos aos cuidados paliativos, enquanto direito humano, o lugar universal que lhes está reservado.

Um recente estudo pioneiro, de representatividade nacional, promovido pela Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (ver
http://
www.apcp.com.pt) demonstra que 2/3 dos portugueses desconhece a existência e as práticas dos cuidados paliativos. Curiosamente, nesse mesmo estudo, dos indivíduos inquiridos - que representavam a realidade nacional -, 50% dos que se assumiam a favor da eutanásia diziam que mudariam essa posição se tivessem a garantia de que a medicina não os deixaria em sofrimento intolerável. Estes factos revelam um nível de desinformação preocupante e justificam, por si só, mais e melhor informação para os portugueses sobre estas matérias.

Só pode haver debate sobre um tema se houver conhecimento alargado sobre ele. Importa, pois, colocar toda a informação disponível ao serviço do público, com rigor e verdade, evitando abordagens sensacionalistas. A importância do tema nas nossas vidas, o respeito pelos mais vulneráveis e, sobretudo, o respeito pela opinião pública e o dever de a informar justificam-no.
Oxalá possamos assistir a essa mudança.

In Público - Cartas ao Director - 09/11/2008

29/10/2008

E esta, hã?!

En passant pela TV, hoje: Numa cidade holandesa registou-se um aumento de 44% na taxa de natalidade, nove meses após ter havido um problema de falta de electricidade durante dois dias.

Pelo menos em algumas questões a tradição ainda é o que era...

04/07/2008

A dança da vida

Valsa, samba, salsa e tango,
Cada dança tem seu passo;
Fraco, allegro, forte, largo,
Tudo gira ao seu compasso.
Pratos, palmas, pés, djambés,
Sons volteiam pelo espaço,
Soam ritmos livres, soltos,
Suam corpos sem cansaço.


Polka, rumba, cha-cha-cha,
Cada dança tem seu tempo,
Um dois três, avança, pára,
Há quem gire a contratempo.
Gaita, risos, guizos, chistes,
Rodopio ou ritmo lento,
Trás, recua, frente, segue,
Tombam corpos sem lamento.


Gentes, vozes, gestos, gritos,
Sonhos, vontades, desejos,
Rotinas, loucuras, mitos,
Abraços, mãos dadas, beijos.
Tantas voltas, tantos passos,
Tanto esforço em cada avanço,
Atropelos, retrocessos,
Vitórias, perdas, balanço...


É a dança da vida, a vida na dança,
A dança vivida cheia de pujança!
É a vida na dança, a dança da vida,
Cheia de pujança a dança vivida!

09/05/2008

Vida

Estamos mortos antes de sermos concebidos e começamos a morrer depois de o sermos. A este brevíssimo circuito entre mortes chamamos vida.
A vida é um curto circuito cósmico.