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21/12/2009

A pequenez das coisas

Era um suplício quando, nas aulas de Ciências Naturais, dissecávamos pombos e rãs. Isso fazia sentir-me tão triste. Sentia-me como uma profanadora de templos ao abrir as entranhas do animal, revolvendo ao pormenor o mecanismo que tinha feito aquele ser respirar e existir.
Transformá-lo num instrumento e objecto de experiência laboratorial, para facilitar a compreensão e o domínio do nosso pequeno mundo, parecia-me uma heresia e uma tremenda violentação.
Imaginei-me em situação idêntica, dissecada por uma espécie mais inteligente, atenta às minhas entranhas e ignorante da minha essência, revoltada “Não será através dos meus intestinos que me chegam à alma!”.


Dizia o Principezinho que o essencial é invisível aos olhos.
O lado mágico das coisas, a força e a inteligência que estão por detrás da Manifestação, essa não podemos dominar, porque nem sequer a vemos. Talvez nunca a vejamos, focalizados que estamos no esquartejar do mundo para fazê-lo caber na nossa compreensão.

Incapazes de voarmos para abraçar o absoluto, reduzimos o mundo ao nosso tamanho e chamamos a isso evolução.

26/11/2008

Paradoxo

Assim às vezes vive o amor, amando o que desconhece e desconhecendo o que ama.

09/05/2008

Vida

Estamos mortos antes de sermos concebidos e começamos a morrer depois de o sermos. A este brevíssimo circuito entre mortes chamamos vida.
A vida é um curto circuito cósmico.

08/05/2008

Seixo na água

Há uma imagem mental que me acompanha na noção de que uma acção isolada, por pequena que pareça aos nossos olhos, tem consequências que podem ser surpreendentes e gerar movimentos de influência cada vez maiores. É o efeito "seixo na água". Ao ser lançado, o seixo provoca a formação de círculos à sua volta, em tamanho crescente. Este é também o efeito das nossas acções. Se tivermos actos de atenção e generosidade com alguém, essa pessoa vai ficar positivamente influenciada e da mesma maneira vai influenciar cada pessoa do seu círculo de relações, depois cada uma destas as do seu e assim sucessivamente. Isto também é verdade para as acções negativas, têm o mesmo efeito de multiplicação. Isto é, se hoje alguém me aborrecer e eu influenciar negativamente 5 pessoas do meu círculo, no final do dia poderão estar uns bons milhares de pessoas com mau humor...

10/04/2008

Sem tino

Devia ser proibido haver noites que nos tiram o sono, que acabam tristes e nos roubam a alegria da manhã.

24/03/2008

O presente é uma dádiva

“O passado é história, o futuro é mistério, o presente é uma dádiva e por isso se chama presente”.
Deepak Chopra
.
Mas para muitos o habitual é o desprendimento constante do presente para se recolherem na nostalgia do passado. De nada lhes serve a dádiva de Hoje. Não valorizam justamente a oportunidade de usufruir o que a vida lhes dá em cada dia. Entregam-se profundamente ao que já foi e aí ficam presos, vampirizados por um passado infértil e estanque. Ensombram o presente sem lhe tocarem, passando por ele como fantasmas. É um acto de desamor. O presente serve-lhes apenas como degrau para o futuro onde depositarão, cada vez mais fortalecidas, as saudades de tudo o que já deixou de ser. É a recusa do porvir. O apego ao passado bloqueia a vivência do que é novo, impede a luz de se propagar, escurece o presente, cega o futuro.

27/02/2008

O meu deus não é menor

Não sou dogmática, mas tenho as minhas crenças. Nunca aderi a «ismos» por me parecer que restringem e aprisionam a nossa liberdade, confinando-nos ao facciosismo de um único modelo de pensamento, por mais amplo que possa parecer. Para crescer é preciso ter liberdade e a liberdade não tem regras. A liberdade tem a sua essência no amor e por isso não existe se for carente de verdade, de respeito, de responsabilidade. Estes são atributos de quem é livre, mas não podem ser regras já que, em última análise, toda a regra tem excepção. Mas os atributos de quem é livre são a própria essência desse estado e, portanto, imutáveis.
Tenho de facto as minhas crenças. Elas resultam da observação da vida e da forma como tudo está interligado, da dinâmica causa-efeito das acções, da constatação de que nada acontece por acaso, da materialização dos nossos pensamentos, da manifestação dos sonhos e da existência de algo não palpável, não controlável, mas que é uma realidade que todos nós vivemos num outro plano que não o físico, e à qual muitas vezes se chama transcendência.
Não gosto muito dessa definição porque só por si é separativa, dá ideia de que é algo que está muito afastado do comum mortal e que este nunca alcançará porque é apenas privilégio de alguns espíritos aprimorados. E por isso, por não conseguir reconhecer a transcendência que há em si, o comum mortal não se motiva à descoberta, tem dificuldade em compreender e aceitar tudo aquilo que não faz parte da sua vida materializada no quotidiano.
Foi por isso que comecei a escrever “deus” com minúscula. Quando era miúda e o escrevia com maiúscula, sentia-o distante, tão longe e tão inacessível, que me fazia duvidar da possibilidade de poder interagir com ele. De igual modo, quando ouvia nas missas que ele estava lá em cima, no alto, no céu, eu pensava "ele devia era estar cá em baixo, que é onde faz falta". E por necessidade dessa proximidade comecei também a tratá-lo por tu, como um amigo chegado, e a rezar “pai nosso que estás no céu e também em mim”. E nunca o senti zangado comigo, antes pelo contrário, tenho sido alvo incansável das suas bençãos. Tirei-lhe o pedestal da maiúscula, mas não o fiz menor.

18/02/2008

Pensando bem...

A escrita assim é o lugar dos meus despojos. Sempre que sinto esta emergência nauseada de escrever, sei que não estou tranquila. Porque é a tristeza que leva a reboque os meus dedos sobre o teclado, obrigando-os a macular folhas brancas com traduções dos meus vazios. Na escrita reflicto o meu corpo de dor.
Durante muito tempo a minha tristeza escreveu-se em mil poemas e textos. Pouco resta. Anos passados, deitei fora muitas gatafunhadas por me trazerem de volta memórias que não me faziam falta, emoções que me causavam repulsa e situações com as quais já não me identificava. Depois serenei.
De novo esta necessidade, em certa medida injusta, é verdadeira. Reacendeu-se. Quase por osmose, assim foi.
Lembro-me de uma vez me terem dito a escrita não é só luta, é alegria também.
Por isso fico por aqui. Não quero dar alento ao desalento.
Vou perder-me por aí um bocado a ver se me encontro.
Volto num dia de sol, é melhor...

Passa a outro e não ao mesmo

Com alguma frequência ocorre-me uma pequena história que retrata a forma como tantas vezes transferimos para os outros o peso do nosso sentimento de culpa (há alguns anos substituí, no meu discurso, culpa por responsabilidade, mas neste contexto a primeira tem mais propriedade), evitando dessa forma o confronto connosco mesmos e impedindo-nos de assumir honestamente a causa e consequência das nossas acções. A passagem da carga para outros ombros torna-nos leves, mas naturalmente atrofia o nosso processo de consciencialização. Uma vez liberta esquecemo-la prontamente, dando permissão a que os mesmos erros se repitam. Precisamos olhar para dentro, com olhos bem abertos.

Luís dava voltas e não conseguia dormir. A mulher, apercebendo-se da sua agitação, pergunta-lhe o porquê.
- Termina amanhã o prazo combinado para devolver o dinheiro que devo ao João, mas ainda nem o tenho!
Passado uns segundos levanta-se, abre a janela e grita:
- João!!! João!!!!
Do outro lado da rua abre-se uma janela:
- Que escandaleira é esta? O que se passa?
- É só para dizer que não vou pagar-te amanhã.
E fechando imediatamente a janela:
– Pronto, agora quem não dorme é ele!

10/02/2008

Explosão

Eu quero o absurdo e o absoluto. Quero tudo
Vou às apalpadelas, não vejo nada!
Não sei a direcção. Não tenho a luz.
Mas não estou quieta. Vou indo.
Vou tentando ir sem olhar muito para os lados nem para trás.
Às vezes não quero ver nem sentir. Quero fingir.
Quero ser poeta fingidor. (Aquele que tudo sente e tudo finge.)
Quero também cantar os poemas desse poeta em voz alta para todos ouvirem.
E não quero ser só mais uma. Quero ser mil ou muitos milhares. Quero ser estrela.
E quero que o mundo se verga, se dobre nos meus olhos.
E quero ver o sol nascer de mim.
Quero a imensidão de tudo o que foi dito e de tudo que nunca o será.
Porque é tudo tão grande, tão imensamente grande...!
que nem o cosmos tem tamanho para tamanha grandeza!
E aqui fico destroçando a minha mente nesta busca,
explodindo os meus neurónios em fogo de artifício
para todo o universo assistir...

04/02/2008

Quo vadis?

Um pássaro pousa na terra e pia saudade. De longe vem outro pio, da eternidade. De onde vimos, para onde iremos, é a pergunta que ecoa. Sem resposta, um pássaro foge, deixando no ar a pergunta fechada, enquanto o outro se achega sereno, trazendo alento à alma cansada.

24/01/2008

Eu pecaDora me castigo

Ontem durante uma missa de 7º dia, o meu pensamento voou para algumas questões sobre a representação da igreja na nossa cultura e debilidade espiritual. Questionava-me, por exemplo, porquê que em vez de nos juntarmos num local mais íntimo, familiar, para lembrarmos e orarmos pelo ser que partiu, nos deslocamos a uma igreja, assistimos a todo um cerimonial distanciado do nosso histórico afectivo e das nossas memórias, e ouvimos, em jeito de enumeração de premiados de alguma lotaria de bairro, o nome daquele que é a razão de estarmos ali, diluído entre tantos outros nomes. "E isto é pago", pensei.
A verdade é que há uma portagem nesta ponte que liga a dimensão terrena à divina, com gestão feita pela Igreja. Como instituição, é uma prestadora de serviços. Presta Serviços Religiosos e nós, utentes, incapazes ou descrentes da capacidade de elevar a nossa voz directamente aos céus, assinamos o contrato de intermediação.
E isto pareceu-me mal, porque sinto haver aqui uma intenção de privação da nossa autonomia e da liberdade de alcançarmos o divino apenas pela via natural da nossa vontade.
Observo o padre na preparação do cerimonial da Comunhão. Os panos, o vinho, a manipulação das hóstias…
E de repente, num sussurro cínico de S., o apelo ao real: “Ainda a ASAE não se lembrou de vir às igrejas…”. Riso abafado. Oração. “Se calhar a Igreja tinha mais fiéis se diversificasse nas hóstias, podia ter umas com cobertura de chocolate…brigadeiro, ou doce…”. Mais risos. Imaginei a inevitável pergunta do padre ao fiel “Simples ou com cobertura?”. Silêncios. Ele de volta: “E opções de vinho… Douro, Dão, Alentejo…”. E eu pensei, já sem retorno, Quem sabe champanhe… se é uma celebração!
E isto assim, só para enganar o medo.

29/12/2007

O caminho faz-se caminhando

Nem sempre é fácil descobrir o nosso caminho. Há os que têm a ventura de o reconhecer cedo e depois há os outros, a grande maioria onde me incluo, aqueles que passam muito tempo a entrar e a sair de atalhos, à procura daquele lugar que é o seu, numa busca incessante, tantas vezes coroada de insatisfações. Talvez o problema seja que, nessa busca, muitas vezes fechamos os olhos a nós próprios e não procuramos ver, nem ouvir a essência que há em nós e que transcende a mera existência física e a limitada inteligibilidade intelectual. Procuramos apenas no exterior as referências que ilusoriamente confortam e orientam de forma unicamente racional a nossa vivência.

Mas será Vivência a forma passiva a que reduzimos a nossa existência, alheada da nossa mais pura vontade e da Natureza da qual somos parte integrante, subordinados a conceitos e padrões vigentes, sejam eles quais forem, criados por terceiros, que tantas vezes nos chocam e ferem, vão contra o nosso coração e a nossa intuição, mas que “temos” que aceitar, absorver e alimentar, porque assim nos ditam as normas sociais desde os nossos primeiros passos? Creio que não. Tudo isso poderá resumir-se a um acto de sobrevivência, porque temos necessidade de nos arrumar em qualquer prateleira socio-cultural para não nos sentirmos marginalizados, e depois somos “obrigados” a respeitar os seus códigos para não sermos banidos, mas isso decididamente não é Viver!

Porque agora, para mim, Viver implica adquirir uma consciência global, sem dissociar o corpo da mente e do espírito, sem dissociar a ecologia ambiental da ecologia do ser, sem dissociar o Sentir do Pensar e do Agir, e sem filiação a qualquer tipo de “ismos”; implica reconhecer e assumir a responsabilidade pelo impacto e consequência que as minhas acções, os meus pensamentos e as minhas emoções, têm sobre mim própria, irradiando de mim para o Universo; implica pôr a minha máquinazinha a trabalhar para o Todo, sempre com a mais elevada consciência; implica descobrir e aceitar humildemente o papel que me está reservado neste imenso puzzle, do qual apenas sou e vejo uma parte.

E depois, deparamo-nos tantas vezes com esse terrível sentimento de separatividade entre nós e os outros, os terceiros, os eles, como se nós mesmos não fôssemos também os “outros” para alguém. Creio que só quando começamos a tomar consciência de que os outros somos nós e vice-versa, eliminando o orgulho e os vícios de pensamento que nos tornam resistentes à mudança e geram inúmeros conflitos, é que percebemos que tudo o que se vê lá fora é um reflexo do que está cá dentro. Neste momento, se formos honestos, começamos também a pôr de lado os lugares-comuns que tanto amparo nos dão quando manifestamos o nosso repúdio pelo estado do mundo, das micro sociedades em que vivemos e da nossa própria vida, porque percebemos que contra nós falamos.

É esse padrão passivo e destrutivo que se albergou em mim no primeiro sopro, que tenho vindo a reconhecer e trabalhar como um alquimista, adquirindo a consciência e compreensão de que não posso delegar a responsabilidade da minha vida à vontade dos que aparentam ser mais activos; de que não posso responsabilizar os outros pelos meus insucessos e experiências mais dolorosas e frustrantes; e que devo, de uma vez por todas, expressar e vivenciar a minha mais pura essência sem medo ou vergonha, sem me condicionar a quaisquer limites ou imposições. Porque a pura essência é ilimitada, é o “vazio” fértil, é o lugar de todas as potencialidades, é a centelha divina que nos liga à divindade, ao numinoso. É, numa palavra, AMOR! E assim sendo, é o único Caminho existente para a auto realização a todos os níveis. Se de facto nos deixarmos conduzir pelo AMOR, seremos verdadeiramente livres.