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22/04/2010

Crença

Não importa saber se nós acreditamos em deus, o que importa saber é se deus acredita em nós.

Mário Quintana

05/06/2009

O drama feminino no mais natural acto fisiológico


Porque é que as mulheres demoram tanto tempo quando vão à casa de banho?

Quando eras pequenina, a tua mamã levava-te à casa de banho, ensinava-te a limpar o tampo da sanita com papel higiénico e depois punha cuidadosamente tiras de papel no perímetro da sanita.

Finalmente instruía-te: "Nunca te sentes numa casa de banho pública!". Depois ensinava-te a "posição", que consiste em balançar-te sobre a sanita numa posição de sentares-te sem que o teu corpo tenha contacto com o tampo.

A "posição" é uma das primeiras lições de vida de uma menina, importante e necessária, que a acompanha para o resto da vida. Mas ainda hoje, nos nossos anos de maioridade, a "posição" é dolorosamente difícil de manter, sobretudo quando a tua bexiga está quase a rebentar.

Quando tens que ir a uma casa de banho pública, encontras uma fila enorme de mulheres... Parece até que o Brad Pitt está lá dentro. Por isso resignas-te a esperar, sorrindo amavelmente para as outras mulheres que também cruzam as pernas e os braços, discretamente, na posição oficial de "estou aqui estou a mijar-me!".

Finalmente é a tua vez! E chega a típica mãe com a menina que não aguenta mais: "a minha filhota já não aguenta mais, desculpe, vou passar à frente!". Então espreitas por baixo de cada cubículo para ver se algum não tem pernas... Estão todos ocupados!

Finalmente abre-se um e lanças-te lá para dentro, quase derrubando a pessoa que ainda está a sair.

Entras e vês que a fechadura está estragada (está sempre!); não importa… Penduras a mala no gancho que há na porta… QUAAAAAL? Nunca há gancho!!!
Inspeccionas a zona, o chão está cheio de líquidos indefinidos e fétidos e não te atreves a pousá-la lá, por isso penduras a mala no pescoço enquanto vês como balança debaixo de ti, sem contar que a alça te desarticula o pescoço, porque a mala está cheia de coisinhas que foste metendo lá para dentro durante meses e a maioria das quais não usas, mas que tens no caso de…

Mas, voltando à porta… como não tinha fechadura, a única opção é segurá-la com uma mão, enquanto com a outra baixas as calças num instante e pões-te "na posição"…

AAAAHHHHHH… finalmente, que alívio… mas é aí que as tuas coxas começam a tremer… porque nisto tudo já estás suspensa no ar há dois minutos, com as pernas flexionadas, as cuecas a cortarem-te a circulação das coxas, um braço estendido a fazer força na porta e uma mala de 5 quilos a cortar-te o pescoço!

Gostarias de te sentar, mas não tiveste tempo para limpar a sanita nem a tapaste com papel. Racionalmente achas que não vai acontecer nada, mas a voz da tua mãe faz eco na tua cabeça "nunca te sentes numa sanita pública", e então ficas na "posição de aguiazinha", com as pernas a tremer… e por uma falha de cálculo da distância, um finííííssimo fio do jacto salpica-te e molha-te até às meias!!

Com sorte não molhas os sapatos… É que adoptar "a posição" requer uma grande concentração e perícia!

Para distanciar a tua mente dessa desgraça, procuras o rolo de papel higiénico... mas não há! Invariavelmente, o suporte está vazio!!!!

Então rezas aos céus para que, entre os 5 quilos de bugigangas que tens na mala pendurada ao pescoço, haja um miserável lenço de papel… Mas para procurar na tua mala tens de soltar a porta!? Duvidas um momento, mas não tens outro remédio. E quando soltas a porta, alguém a empurra, dá-te uma traulitada na cabeça que te deixa meio desorientada, mas rapidamente tens que travá-la com um movimento rápido e brusco enquanto gritas OCUPAAAAAADOOOOOOOOO!!

E assim toda a gente que está à espera ouve a tua mensagem. Ufa! Já podes soltar a porta sem medo, ninguém vai tentar abri-la de novo (nisso as mulheres têm muito respeito umas pelas outras).

Encontras o lenço de papel! Está todo enrugado, tipo um rolinho, mas não importa, fazes tudo para esticá-lo. Finalmente consegues e limpas-te. Mas o lenço está tão velho e usado que já pouco absorve, e molhas a mão toda! Valeu-te de muito o esforço de desenrugar o maldito lenço só com uma mão!

Ouves a voz de outra mulher nas mesmas circunstâncias que tu, "alguém tem um pedacinho de papel a mais?".

Sem contar com o galo que ganhaste com a pancada da porta, o linchamento da alça da mala, o suor que te corre pela testa, a mão a escorrer, a lembrança da tua mãe que estaria envergonhadíssima se te visse assim porque ela nunca tocou numa sanita pública ("Francamente, tu não sabes que doenças podes apanhar aqui, até podes ficar grávida". Lembram-se???).
Estás exausta! Quando páras já não sentes as pernas, arranjas-te rapidíssimo e puxas o autoclismo a fazer malabarismos com um pé, muito importante!

Depois lá vais para o lavatório. Está tudo cheio de água (ou será xixi? ocorre-te isto porque te lembras do lenço de papel…), então não podes soltar a mala nem durante um segundo. Pendura-la no teu ombro. Não sabes como é que funciona a torneira com os sensores automáticos, então tentas até te sair um jactozito de água fresca e com sorte consegues sabão. Lavas-te numa posição do corcunda de "Notre Dame" para a mala não resvalar e ficar debaixo da água.

Nem sequer usas o secador, é uma porcaria inútil, pelo que no fim secas as mãos nas tuas calças – porque não vais gastar mais um lenço de papel para isso, se é que o tens... E sais.

Nesse momento vês o teu namorado, ou marido, que entrou e saiu da casa de banho dos homens e ainda teve tempo para ler um livro de Jorge Luís Borges enquanto te esperava.

"Mas por que é que demoraste tanto?" - pergunta-te o idiota.

"Havia uma fila enorme" - limitas-te a dizer. Para quê mais? Ele nunca entenderia...

Moral da história: A razão pela qual as mulheres vão em grupo à casa de banho é por solidariedade. Uma segura-te na mala e no casaco, a outra na porta e a outra passa-te o lenço de papel por debaixo da porta. Assim é muito mais rápido e só tens que te concentrar em manter "a posição" e a tua dignidade.

(Recebida por e-mail/autora desconhecida)

21/11/2008

Eutanásia e Cuidados Paliativos

Eutanásia: Afinal de que falamos?
Por Drª Isabel Galriça Neto
(Médica de Cuidados Paliativos, directora da Unidade de CP Hospital da Luz, assistente da Faculdade de Medicina de Lisboa)

Para alguns a eutanásia é a resposta correcta para o sofrimento insuportável das pessoas que, tendo doenças incuráveis e numa fase final da sua vida, entendem não querer continuar a viver.
A eutanásia inclui sempre o acto de provocar a morte numa pessoa gravemente doente, no fim da sua vida, e a pedido desta. Os seus defensores dizem que é uma resposta a reservar apenas para situações excepcionais.

A eutanásia não é a recusa de tratamentos desproporcionados, ditos fúteis, e a eutanásia não é a suspensão desse tratamentos. Com efeito, a recusa ou suspensão de tratamentos desproporcionados é uma boa prática médica, já recomendada e aprovada recentemente em código deontológico. A eutanásia também não é a administração de medicamentos opióides e sedativos, quando a intenção é aliviar o sofrimento. Por outro lado, é inútil associar a eutanásia a vagos conceitos como "morte assistida", "morte digna", "boa morte serena", pois isso só contribui para confundir a opinião pública, com expressões que são tópicos sentimentais e susceptíveis de aludir a muitas outras actuações, de âmbito e natureza diferente da da eutanásia. A realidade do sofrimento em fim de vida preocupa e assusta, e isso é natural e compreensível. Todos queremos garantir para o final dos nossos dias a tranquilidade de um tempo sem dores, sem mal-estar e encerrar serenamente a nossa vida, em paz connosco, com o mundo e com os que nos são queridos.

Os que trabalhamos com doentes em fim de vida e seus familiares sabemos que a larga maioria nos diz: "Eu não tenho medo de morrer, tenho é medo de sofrer!" As pessoas querem habitualmente viver, viver com dignidade e só um sofrimento insuportável as fará desejar morrer, e mais, as fará desejar que as matem.

Os portugueses precisam saber que têm hoje uma resposta técnica e humanizada da medicina para essas situações de sofrimento e que se chama "cuidados paliativos". Estes cuidados de saúde, prestados por equipas de profissionais e voluntários devidamente especializados, promovem a qualidade de vida e a dignidade, respeitam a vida (não a encurtam) mas também respeitam a inevitabilidade da morte (e por isso não prolongam artificialmente a vida).

Isto é: no mundo actual e moderno, a medicina tem meios para mitigar o sofrimento humano, não o deixando tornar-se intolerável e sem manter as pessoas vivas a qualquer custo. Esta é uma resposta não para casos excepcionais, mas "a" primeira resposta nos cuidados de saúde para os que têm doenças graves e incuráveis, que pode e deve ser prestada muito antes dos últimos dias de vida. Se não houver acesso e, sobretudo, se não houver informação sobre cuidados paliativos, a escolha sobre o que queremos para o fim dos nossos dias será feita de forma imperfeita e deturpada, sem estar na posse dos mais recentes dados sobre a matéria. Não se trata de contrapor a "alternativa cuidados paliativos" à "alternativa eutanásia": qualquer que seja a nossa posição sobre a eutanásia, todos devemos ter acesso aos cuidados paliativos. Demos aos cuidados paliativos, enquanto direito humano, o lugar universal que lhes está reservado.

Um recente estudo pioneiro, de representatividade nacional, promovido pela Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (ver
http://
www.apcp.com.pt) demonstra que 2/3 dos portugueses desconhece a existência e as práticas dos cuidados paliativos. Curiosamente, nesse mesmo estudo, dos indivíduos inquiridos - que representavam a realidade nacional -, 50% dos que se assumiam a favor da eutanásia diziam que mudariam essa posição se tivessem a garantia de que a medicina não os deixaria em sofrimento intolerável. Estes factos revelam um nível de desinformação preocupante e justificam, por si só, mais e melhor informação para os portugueses sobre estas matérias.

Só pode haver debate sobre um tema se houver conhecimento alargado sobre ele. Importa, pois, colocar toda a informação disponível ao serviço do público, com rigor e verdade, evitando abordagens sensacionalistas. A importância do tema nas nossas vidas, o respeito pelos mais vulneráveis e, sobretudo, o respeito pela opinião pública e o dever de a informar justificam-no.
Oxalá possamos assistir a essa mudança.

In Público - Cartas ao Director - 09/11/2008

16/06/2008

O mestre e o escorpião

Um mestre oriental viu que um escorpião estava a afogar-se e decidiu tirá-lo da água; mas quando o fez, o escorpião picou-o. Reagindo à dor, o mestre soltou o animal e ele caiu de novo à água, afogando-se. De novo o mestre tentou tirá-lo e mais uma vez o animal picou-o.
Alguém que estava a observar a cena aproximou-se do mestre e disse: "Desculpe-me mas o senhor é teimoso! Não vê que todas as vezes que tentar tirá-lo da água ele irá picá-lo?".

O mestre respondeu: "Ele age de acordo com a sua natureza. A natureza do escorpião é picar e isso não vai mudar em nada a minha natureza, que é ajudar".
Então, com a ajuda de uma folha o mestre tirou o escorpião da água e salvou-lhe a vida.

Não mudes a tua natureza se alguém te magoar; apenas toma precauções.

Autor desconhecido

30/05/2008

Demito-me

Venho por este meio apresentar oficialmente o meu pedido de demissão da categoria dos adultos.
Resolvi que quero voltar a ter as responsabilidades e as ideias de uma criança de oito anos, no máximo.
Quero acreditar que o mundo é justo, e que todas as pessoas são honestas e boas.
Quero acreditar que tudo é possível.
Quero que as complexidades da vida passem despercebidas por mim e quero ficar encantada com as pequenas maravilhas deste mundo.
Quero de volta uma vida simples e sem complicações. Estou cansada de dias cheios de computadores que falham, montanhas de papelada, notícias deprimentes, contas a pagar, intrigas, doenças, e necessidade de atribuir um valor monetário a tudo o que existe.
Não quero mais ter que inventar maneiras de fazer o dinheiro chegar até o dia do próximo pagamento.
Não quero mais ser obrigada a dizer adeus a pessoas queridas e, com elas, a uma parte da minha vida.
Quero ter a certeza de que Deus está no céu e que por isso tudo está direitinho neste mundo.
Quero ir ao McDonalds ou à pizzaria da esquina e achar que é melhor do que um restaurante cinco estrelas.
Quero viajar ao redor do mundo no barquinho de papel que vou fazer navegar numa poça deixada pela chuva.

Quero atirar pedrinhas à água e ter tempo para olhar as ondas que elas formam.
Quero achar que as moedas de chocolate são melhores do que as de verdade, porque podemos comê-las e ficar com a cara toda lambuzada.
Quero ficar feliz quando amadurece a primeira nespereira ou a primeira ameixoeira, quando a laranjeira fica carregadinha de fruta.
Quero poder passar as tardes de Verão à sombra de uma árvore, construindo castelos no ar e dividindo-os com meus amigos.
Quero voltar a achar que chicletes e gasosas são as melhores coisas da vida.
Quero que as maiores competições em que eu tenha de entrar sejam um jogo de berlinde ou uma futebolada...
Eu quero voltar ao tempo em que tudo o que eu sabia era o nome das cores, a tabuada, as cantigas de roda, "As Pombinhas da Catrina" e a "Avé Maria" e isso não me incomodava nadinha, porque eu não tinha a menor ideia de quantas coisas eu ainda não sabia...
Quero voltar ao tempo em que se é feliz, simplesmente porque se vive na bendita ignorância da existência de coisas que podem preocupar-nos e aborrecer-nos.
Quero acreditar no poder dos sorrisos, dos abraços, das carícias, das palavras gentis, da verdade, da justiça, da paz, dos sonhos, da imaginação, dos castelos-no-ar e na areia.

E o que mais quero é estar convencida de que tudo isso vale muito mais do que o dinheiro!
Por isso, tomem aqui as chaves do carro, a lista do supermercado, as receitas do médico, o livro de cheques, os cartões de crédito, o contra-cheque, os crachás de identificação, as contas a pagar, a declaração de impostos, a declaração de bens, as passwords do meu computador e das contas no banco, e resolvam as coisas como bem quiserem.
A partir de hoje isto é com vocês, porque eu DEMITO-ME da vida de adulto.
Vou voltar a ser feliz, a ter sonhos de criança, a ver o mundo com os olhos inocentes de quem acredita no Pai Natal e na fada dos dentes... Viver um sonho...

Autor desconhecido

23/04/2008

Solidão

Solidão não é a falta de gente para conversar, passear, namorar ou fazer sexo… Isso é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que já não podem mais voltar… Isso é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que às vezes nos impomos para realinhar os pensamentos… Isso é equilíbrio.
Solidão não é o claustro voluntário que o destino nos impõe compulsoriamente, para que revejamos a nossa vida… Isso é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado… Isso é circunstância.
Solidão é muito mais do que isso.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa Alma.

Chico Buarque de Holanda

04/03/2008

Tempo mágico...

Contei os meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma tijela de cerejas. As primeiras, chupou-as displicente, mas percebendo que faltavam poucas até roía o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabarolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando os seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projectos megalómanos.
Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milénio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que apesar da idade cronológica, são imaturas.
Não quero ver os ponteiros do relógio a avançar, em reuniões de "confrontação", onde "tiramos factos a limpo".
Detesto fazer acareação de desafectos que lutaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos". O meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.
Quero a essência, a minha alma tem pressa...
Sem muitas cerejas na tijela, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir dos seus tropeções, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge da sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado do Bem. Caminhar perto de coisas e pessoas verdadeiras, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.
O essencial faz a vida valer a pena.
Autor desconhecido

25/02/2008

O Silêncio é de Ouro

Por João César das Neves, in DN.

(...) Vivemos num mundo de espelhos, numa fogueira de ilusões. Consideramo-nos informados e esclarecidos mas nos assuntos sérios, opções estratégicas, problemas de fundo, novas infra-estruturas, escândalos empresariais, temos de admitir que ninguém se entende. Pior, a nossa vida é hoje agredida da forma mais violenta e boçal por aquilo que pretende divertir-nos. Não passaria pela cabeça de ninguém meter em casa os desconhecidos que encontra na rua. Mas à noite, na televisão, tudo o que vier é aceite obedientemente. Uma família pacata, num serão habitual, assiste a mais violência, crime, engano e miséria que uma aldeia medieval num ano de invasões bárbaras. Como viver numa sociedade assim? A única forma é enfrentá-la, como a um furacão: bem escorados nos valores e critérios básicos, escolhendo com cuidado as referências que nos guiam. Existe ainda um elemento importante, que uma das referências mais decisivas da actualidade acaba de formular. O Papa pediu há dias, no encontro quaresmal com o clero de Roma a 7 de Fevereiro, um "jejum de imagens e palavras". A sociedade mediática criou uma embriaguez de estímulos que embrulha e asfixia, manipula e embrutece. É preciso lidar com ela como com a poluição. Na era da informação é crucial lembrar que o silêncio é de ouro.

10/02/2008

Curva da felicidade tem a forma de um U

m estudo que envolveu dois milhões de pessoas em 80 países, incluindo Portugal, constatou um padrão mundial extraordinariamente consistente nos níveis de depressão e felicidade que torna a meia-idade o período mais problemático da vida.

O trabalho, realizado por investigadores da Universidade de Warwick e do Dartmouth College, nos Estados Unidos, com o título "Terá o bem-estar a forma de U no ciclo da vida?", vai ser publicado na revista Social Science & Medicine, a publicação de ciências sociais mais citada em todo o mundo. Os cientistas constataram que os níveis de felicidade têm a forma curva de um U, com o ponto mais alto no início e final da vida e o mais baixo na meia-idade. Muitos estudos anteriores do decurso da vida sugeriam que o bem-estar psicológico se mantinha relativamente estável e consistente com o avançar da idade. Com base numa amostra de um milhão de pessoas no Reino Unido, os investigadores concluíram que os picos de depressão são mais prováveis por volta dos 44 anos, tanto nos homens como nas mulheres. Contudo, nos Estados Unidos encontraram uma diferença significativa nos dois géneros, com a infelicidade a atingir o pico por volta dos 40 anos na mulheres e dos 50 nos homens. Num total de 72 países em todos os continentes, o estudo constatou a mesma forma de U nos níveis de felicidade e satisfação com a vida por idade. Curva igual em todos os géneros e estratos sociais. Os dois autores, ambos economistas - os professores Andrew Oswald, da Universidade de Warwick e David Blanchflower, do Dartmouth College - consideram que o efeito da curva em U tem origem no interior dos seres humanos, já que encontraram sinais de depressão no meio da vida em todos os géneros de pessoas, independentemente de terem crianças em casa, de divórcios ou mudanças de emprego ou rendimento. «Algumas pessoas sofrem mais do que outras, mas os nossos dados indicam que o efeito médio é muito amplo. Acontece tanto a mulheres como a homens, ricos e pobres, com ou sem filhos», afirma Andrew Oswald, citado no site de informações científicas AlphaGalileo. «Ninguém sabe a causa desta consistência», referiu. «Para a pessoa média no mundo moderno, tanto a saúde mental como a felicidade chegam lentamente, não de repente num único ano», observou. «Só quando chega à casa dos 50» - acrescentou - «é que a maioria das pessoas deixa de ser susceptível à depressão. Mais tarde, aos 70, mantendo-se fisicamente em forma, as pessoas, em média, podem sentir-se tão felizes e mentalmente sãs como aos 20 anos». O estudo analisou informação sobre uma amostra aleatória de 500.000 norte-americanos e europeus ocidentais a partir do Inquérito Social Geral, nos Estados Unidos, e do Eurobarómetro. Os autores analisaram, também, os níveis de saúde mental de 16.000 europeus, os níveis de depressão e ansiedade numa larga amostra de cidadãos britânicos e dados do "World Values Survey", que contém amostras de pessoas de 80 países.

01/02/2008

Lenda Sioux

Extraído do livro "O Poder da Solução", de Roberto Shinyashiki

Conta uma lenda dos índios Sioux, que certa vez Touro Bravo e Nuvem Azul chegaram de mãos dadas à tenda do velho feiticeiro da tribo e pediram:
- Nós amamo-nos e vamos casar. Mas nos amamos tanto que queremos um conselho que nos garanta ir ficar sempre juntos, que nos assegure estarmos um ao lado do outro até à morte. Há algo que possamos fazer?
E o velho, emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:
- Há uma coisa a fazer, mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada. Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte da aldeia apenas com uma rede, caçar o falcão mais vigoroso e trazê-lo aqui, com vida, até ao terceiro dia depois da lua cheia. E tu, Touro Bravo, deves escalar a montanha do trono; lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias. Somente com uma rede deverás apanhá-la, trazendo-a viva!
Os jovens abraçaram-se com ternura e logo partiram para cumprir a missão. No dia estabelecido, na frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves. O velho tirou-as dos sacos e constatou que eram verdadeiramente formosos exemplares dos animais que ele tinha pedido.
- E agora, o que faremos? - Os jovens perguntaram.
- Peguem as aves e amarrem-nas uma à outra pelos pés com estas fitas de couro. Quando estiverem amarradas, soltem-nas para que voem livres.
Eles fizeram o que lhes foi ordenado e soltaram os pássaros. A águia e o falcão tentaram voar, mas conseguiram apenas saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela impossibilidade do vôo, as aves arremessaram-se uma contra a outra, bicando-se até se magoarem. Então o velho disse:
- Jamais esqueçam o que estão a ver, este é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão. Se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se como também, mais cedo ou mais tarde, começarão a magoar-se um ao outro. Se quiserem que o amor entre vocês perdure, voem juntos, mas jamais amarrados.

Liberte a pessoa que você ama para que ela possa voar com as próprias asas. Essa é uma verdade no casamento e também nas relações familiares, de amizade e profissionais. Respeite o direito das pessoas voarem rumo ao sonho delas.
A lição principal é saber que somente as pessoas livres serão capazes de amar como você quer e merece. Respeite também as suas próprias vontades e voe em direcção às realizações da sua vida.
Ao ser livre, você encontrará pessoas realizadas que adorarão voar ao seu lado.

24/01/2008

Dom Supremo

Falar de amor é uma arte que me enebria. Não me canso de ler este texto e de me deixar seduzir pela sua beleza e profundidade. Partilho-o convosco.


Texto de Luís Portela, médico e administrador de empresas

"Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, nada serei. E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.
O amor é paciente, é benigno, o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba."
Assim escreveu o apóstolo Paulo aos Coríntios, texto citado pelo pensador escocês Henry Drummond, no final do século XIX, na sua obra "O dom supremo", recuperada com o mesmo título pelo escritor brasileiro Paulo Coelho, em finais do século XX. Texto sempre actual e sempre propício a uma nova leitura e a um maior aprofundamento.
O amor é paciente. Implica disponibilidade crescente, sem nada cobrar. Entende, aguarda, persiste, serena e coerentemente. Amar é praticar o bem sem olhar a quem. Procurar fazer os outros felizes, mas completos, íntegros e sem distinções: os que nos são mais próximos, mas também os mais distantes; amigos, conhecidos e mesmo inimigos; humanos e não só, toda e qualquer partícula do Todo. Darmo-nos sem hora marcada e sem adiamento: já e, a partir de agora, sempre!
O amor não compete, nem inveja; admite generosamente que há outros que amam, idealizam, realizam. Tanto ou mais. E isso não alimenta ciúme [nem inveja], antes dá satisfação. Satisfação pelos outros, pelo Todo, de quem procura simplesmente (ou talvez até humildemente) fazer a sua parte.
O amor é algo delicado nas grandes e, sobretudo, nas pequenas coisas. Não consegue ser agressivo, grosseiro ou inconveniente. Não tem que ver com snobismo ou cumprimento de regras. É, em si, "a regra que resume todas as outras regras", pela qual assumimos intrinsecamente que não existe verdadeira felicidade em ter e em receber, mas apenas em dar e em servir.
O amor é tolerância, desconhecendo preconceitos e falsos virtuosismos. Aceitar os outros como eles são, tendo pena que ainda não saibam ser melhores e ajudando-os no seu caminho de aprendizado. Construir discretamente o paraíso dentro de si mesmo e permitir que ele extravase, contribuindo para a transformação evolutiva.
O amor não se ressente do mal. Na sua simplicidade e na sua inocência, afasta o que está errado, renova, regenera, reconstrói. Talvez lentamente, mas com eficácia. Na sua sinceridade, busca a verdade. Não a verdade que lhe foi ensinada, mas a que resulta da sua própria progressão e que algum dia se confundirá com a de todos os outros; aí sim, verdade!
O amor não é uma mera noção teórica, é algo que se pratica e desenvolve, até permanecer. Num mundo onde tudo passa, desde o deslumbramento dos sentidos até aos prazeres materiais, desde o orgulho até ao poder das armas, desde os preceitos religiosos até aos conhecimentos científicos, apenas o amor permanece. Permanece, preenche, É.
Como dizia Henry Drummond, "nenhum homem se torna santo enquanto dorme". É necessário ponderar, idealizar, concentrar esforços e realizar. Sobretudo realizar. Numa época conturbada como aquela em que vivemos, poderá ser útil dissertar sobre o amor ou desejar que os governantes dos diferentes países saibam construir a paz. Mas será determinante que cada um de nós saiba viver em amor, construindo a paz em si e a partir de si. Para Drummond "o Amor – dom supremo – é o segredo da vida". Talvez mais do que dom, seja conquista; talvez mais do que segredo, a própria vida. "

18/01/2008

Sawabona, Shikoba!


Texto de Flávio Gikovate - Médico Psicanalista
Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste século. As relações afectivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.
O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.
A idéia de uma pessoa ser o remédio para a nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século.
O amor romântico parte da premissa de que somos uma fracção e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.
Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher.

Ela abandona suas características para se amalgamar ao projecto masculino.
A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raíz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante.
Uma ideia prática de sobrevivência e pouco romântica, por sinal.
A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia; mas não preciso, o que é muito diferente.
Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas.
Elas estão começando a perceber que se sentem fracção, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fracção.
Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.
O homem é um animal que vai mudando o mundo e depois tem que ir-se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou.
Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.
A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguem trabalhar sua individualidade.

Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afectiva.
A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afectivas são óptimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem.
Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes pensamos que o outro é a nossa alma gémea e na verdade o que fizémos foi inventá-lo ao nosso gosto.
Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.
Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo e não a partir do outro.
Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.
O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável.
Nesse tipo de ligação há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.
Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo...

Caso tenha ficado curioso(a) em saber o significado de SAWABONA, é um cumprimento usado no sul da África, quer dizer: “Eu te respeito, eu te valorizo, você é importante para mim”. Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA, que é: “Então eu existo pra você”.