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14/06/2013

Desumanidade

"Quão profundamente doloroso é para os animais oprimidos e quão vergonhoso é para os humanos, que estes exerçam domínio sobre aqueles seres pacíficos, que vivem em harmonia com a sua natureza, são compreensivos, vivem em confiança e perdão. Quão vergonhoso e lamentável que os humanos sejam dominantes sobre os demais animais.
Quão profundamente traumático para eles e desonroso para nós, forçar esses nobres seres a tolerar a nossa brutalidade".

Os animais não-humanos vieram partilhar o planeta connosco [animais humanos], mas não são objetos para nosso prazer e não nos pertencem. Não temos o direito de usar, maltratar, matar, ou comer os nossos companheiros evolutivos. Existe uma ligação profunda entre todos os seres sencientes; uma ligação que nos permite viver em harmonia, compaixão e paz, se nos conectarmos à vida e a soubermos respeitar.



01/12/2011

Nova alquimia

As palavras essenciais e justas que gostaria de escrever estão de tal forma enterradas na minha limitação que nem lhes consigo chegar. Sigo pelas figuras de estilo, as comparações, as imagens, as metáforas, pelo recurso a esta redundância humana de buscar pelo lado de fora uma tradução dos estados de alma. Um estar do avesso.
Sinto uma dor magoada como se tivesse sido alvejada, como se tivessem disparado um tiro certeiro no meu coração e a bala ficasse alojada numa zona de fronteira entre a morte e a esperança de vida, presa por um fio. E esta parece ser uma situação deveras dolorosa, a incerteza da permanência do lado de cá e a possibilidade de uma passagem para o outro lado.
Mas é um desafio. Há um coração que teima em bater, em vibrar, em mostrar que tem força e dignidade para ir à luta. E aquele objecto dual, estranho, desconfortável, ali alojado, não pode ser subestimado. Há um prenúncio de vida nele, mais do que de morte. O coração tem que cuidá-lo, acomodá-lo, para que se mantenha no mesmo lugar. Um batimento mais forte, e poderá deslocar-se fatalmente; uma vibração a mais, e o fio de vida poderá partir-se. E o coração, sabendo ser este o caminho a seguir, a busca do equilíbrio entre forças primordiais aparentemente antagónicas, recolhe-se em silêncio trabalhando na alquimia. E corajoso, seguro do Amor que o anima e que só ele sabe sentir, confia que no tempo necessário, tal como uma impureza dentro de uma ostra, a bala nele alojada se transformará em pérola.

28/09/2009

Paisagem sem alma

Estou nos escombros de uma linha de 50 metros de cedros decepados.
E se ainda restavam algumas dúvidas, o impacto desse vazio obrigou-me a perceber de uma vez por todas a finitude de um tempo.
Crescemos e morremos com o que nos envolve. Criamos identidades com as coisas, ambientes, paisagens, pessoas, que se vão enfileirando no nosso caminho, que estruturam o nosso ser e constituem a nossa vida.
Por cada objecto que perco, por cada ambiente que se deteriora, por cada paisagem que se desfaz, por cada pessoa que parte, o meu ser morre um bocadinho.
Morre-se assim aos pedaços, até já não haver mais nada para morrer senão esta cápsula que albergou pelo tempo necessário um aparelho de emoções, o mais extraordinário mecanismo que o universo elaborou.
O que é a vida senão uma experiência emocional?


A tristeza nunca é servida em meias doses. E se já me era difícil o dizer adeus à Casa Verde, mais penoso é vê-la mutilada, destituída da visão emblemática, grandiosa, verdejante, que era a parede de majestosos cedros fazendo fronteira com a estrada e resguardando, zelozamente, a sua privacidade.
E por despreparo, na total ausência de aviso ou consentimento, o embate com a sua nudez magoou-me até às entranhas. Revoltou-me ver a sua dignidade ferida de forma tão vil e brutal, sem qualquer pudor.
De repente eu era a casa e os cedros a minha roupa. E ali jazia eu, a minha intimidade devassada, a minha nudez exposta.
Pensei na minha mãe, na sua iniciativa e em todo o trabalho conjunto na plantação daqueles 37 anos de cedros. Que tristeza sentiria, ou sentirá, de algum ponto deste incomensurável comos, ao ver esta paisagem sem alma...

Confronto-me com a minha própria finitude. Com a Casa Verde, mais um pedaço de mim se morreu.

30/12/2008

C. e a fábrica de solidão

Poderia ser esse o título do teu filme.
Se não tivesses fechado a porta, quem sabe eu teria entrado e alterado o teu guião...
Não me pudeste dar o tempo. E a solidão agora é minha.
Jamais voltarei a ser D. white.
Estou in black, for you. Forever.

07/12/2008

Esse grande filho da puta

Soube uma má notícia. Estou chocada, revoltada. Agora é tarde para qualquer telefonema. Ou melhor, não é a qualquer pessoa que se liga a esta hora para dizer o que nos vai na alma. E só me apetece dizer palavrões para exorcizar a minha raiva e incompreensão. Dizer que a vida é fodida, que nos fode a todos, a toda a hora, de todas as maneiras e feitios, a torto e a direito, e não me venham com merdas e dizer que é preciso ser-se positivo e o caraças, porque a vida fode também quem pensa assim.

Há pessoas que não fazem cá falta nenhuma, essa é que é a verdade; que andam para aí a vampirizar o planeta e duram mais do que a conta, como se tivessem caído num caldeirão de "Duracell" à nascença. Toda essa corja de cabrões parasitários, sociopatas e psicopatas que se apoderaram do mundo e o manipulam, corrompem e destroem, que o enchem de merda onde nos querem atolar e exterminar. É clichê, mas estas pessoas deviam desaparecer primeiro.
Uma espécie de limpeza da espécie, para ser redundantemente objectiva.

Mas há outras pessoas, outras, que são verdadeiras almas de luz, anjos na terra, pequenas lufadas de bondade, de dádiva e amor, que parecem ter sido escolhidas para bodes expiatórios, para padecerem das dores do mundo em sacrifício dos demais.
Não foi o que nos ensinaram sobre Cristo, que a sua bondade veio libertar os males do mundo? Seria incompreensível que o mestre partisse sem deixar discípulos.
Às vezes somos bafejados pela graça das suas presenças nos nossos micro cosmos. São seres que têm alma crística; fazem percursos pessoalmente dolorosos em prol dos seus, vivem vidas de abnegação e renúncia em nome do amor incondicional. E entre suores, dores e lágrimas, nunca perdem o sorriso, aquele brando sorriso de bonomia e compaixão que é espelho da misteriosa presença do divino.

E depois, quando a vida parece dar tréguas e trazer-lhes finalmente a acalmia, quando a lei do eterno retorno devia manifestar-se concedendo-lhes o direito a um novo respirar, atribuindo-lhes os legítimos créditos pelas suas vidas de sacrifício, eis que que ele chega em surdina e se impõe à revelia: e
sse grande filho da puta chamado cancro.

Sinto-me uma formiga querendo parecer ter dois metros, nesta tentativa de ser emocionalmente lógica e de fazer justiça conceptual. Quem sou eu para julgar a mecânica do universo, para avaliar o que é o mistério da vida, para dizer quem deve ir ou ficar? Porra nenhuma. Eu não sou porra nenhuma. Só sei que há pessoas que são a diferença; que fazem e farão muita falta. É só o que sei.

22/01/2008

Maus tratos a idosos

Começo a ter pânico de envelhecer! Para além da improbabilidade de uma reforma, da miopia agravada por cataratas, das scuts na testa, dos tropeções das minhas carnes flácidas, da perda de memória e do belo teclado dentário, que mais me irá acontecer? A maus tratos de filhos e netos serei poupada… a carne da minha carne não existe para me fazer mal. Mas, e o resto da sociedade? Atrás da minha chalaça está o medo, porque isto é dramático q.b.
Numa altura da vida em que nos debateremos entre a fragilidade física e a solidão emocional, ainda teremos que ser confrontados com a violência dos nossos “cuidadores”? Morre-se, de tanta injustiça!
Não sei o que podemos fazer, mas precisamos reflectir sobre isto.

DN - A tendência está à vista. O fenómeno de violência contra idosos tem vindo a aumentar em Portugal. Os mais recentes números conhecidos revelam que, nos últimos cinco anos, os registos deste tipo de violência triplicaram, dos mais de oito mil casos para os quase 25 mil em que a vítima do crime tem mais de 64 anos.

18/01/2008

Intrusa

A morte entra sempre sem pedir licença. É a única intrusa que temos a certeza virá quando lhe apetecer, sem convite nem hora marcada. Aparece, impõe-se, marca território, senta-se connosco, come, arrota, incomoda (incomoda tanto!), e nunca, mas nunca, pede perdão. Pior do que isso, no fim ri-se. Ri-se que se farta, a ordinária.