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09/07/2011

orapazeopeixe


Curta metragem sobre um miúdo que tem de lidar com a morte pela primeira vez quando o seu peixe de aquário pára de mexer.

Ajudem à produção deste filme, visitando o blogue, contribuindo e divulgando-o.


Dirigido por: Bertolino Pedro, Luís Montanha e Pedro Cruz

Site: http//orapazeopeixe.wordpress.com
Facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=1435329813#!/pages/orapazeopeixe/221825401185374?sk=info



Este é um projecto de fim de curso de três jovens cineastas, que desde logo me despertou a atenção pelo tema abordado.
Sempre defendi que se deve encarar o tema da morte de frente, com naturalidade, e não como um assunto mórbido, ou um tabu. Os preconceitos são coisas dos adultos, fazemos julgamentos e partimos do princípio que as crianças reagem como nós, porque nos projectamos nelas. Mas na verdade as crianças são surpreendentes na sua forma de entendimento e aceitação. Talvez porque estejam mais ligadas à Fonte do que os adultos, as crianças têm uma compreensão natural do mundo e da natureza que as rodeia. Cabe-nos a nós ajudá-las a manter essa visão pura e desdramatizada.
Nesse sentido, acho que este projecto é muito válido no seu propósito. E eles precisam da nossa ajuda.

28/09/2009

Paisagem sem alma

Estou nos escombros de uma linha de 50 metros de cedros decepados.
E se ainda restavam algumas dúvidas, o impacto desse vazio obrigou-me a perceber de uma vez por todas a finitude de um tempo.
Crescemos e morremos com o que nos envolve. Criamos identidades com as coisas, ambientes, paisagens, pessoas, que se vão enfileirando no nosso caminho, que estruturam o nosso ser e constituem a nossa vida.
Por cada objecto que perco, por cada ambiente que se deteriora, por cada paisagem que se desfaz, por cada pessoa que parte, o meu ser morre um bocadinho.
Morre-se assim aos pedaços, até já não haver mais nada para morrer senão esta cápsula que albergou pelo tempo necessário um aparelho de emoções, o mais extraordinário mecanismo que o universo elaborou.
O que é a vida senão uma experiência emocional?


A tristeza nunca é servida em meias doses. E se já me era difícil o dizer adeus à Casa Verde, mais penoso é vê-la mutilada, destituída da visão emblemática, grandiosa, verdejante, que era a parede de majestosos cedros fazendo fronteira com a estrada e resguardando, zelozamente, a sua privacidade.
E por despreparo, na total ausência de aviso ou consentimento, o embate com a sua nudez magoou-me até às entranhas. Revoltou-me ver a sua dignidade ferida de forma tão vil e brutal, sem qualquer pudor.
De repente eu era a casa e os cedros a minha roupa. E ali jazia eu, a minha intimidade devassada, a minha nudez exposta.
Pensei na minha mãe, na sua iniciativa e em todo o trabalho conjunto na plantação daqueles 37 anos de cedros. Que tristeza sentiria, ou sentirá, de algum ponto deste incomensurável comos, ao ver esta paisagem sem alma...

Confronto-me com a minha própria finitude. Com a Casa Verde, mais um pedaço de mim se morreu.

30/07/2008

Virar a página

Mais um percurso que terminou, um outro começará a seu tempo. Não sei se deverei falar em descontentamento ou em alívio. Praticamente desde o início sabia que este projecto era inviável, que mais cedo ou mais tarde colapsaria. Mas no final há sempre uma parte de nós que clama por um recomeço, numa tentativa utópica de mudar o curso das coisas.
Não há nada mais improdutivo, mais infértil, mais angustiante, do que querer mudar o que já foi com o "se". Se tivesse sido de outra maneira não seria desta, obviamente.
Nos últimos quatro anos, envolvi-me em três projectos profissionais de "vão de escada", geridos por empresários de "trazer por casa", de ignorância prepotente e visão umbilical. Nenhum deles foi um projecto de sucesso, mal davam para garantir ordenados no final do mês.
Imagino que aquilo a que chamamos tecido empresarial português, seja composto maioritariamente por estas empresas de cariz doméstico e familiar, que abrem e fecham sem qualquer impacto positivo na economia nacional. O nosso país está cheio de empresários que nem sabem o que uma empresa é, porque nunca trabalharam em nenhuma a sério. Não têm os conhecimentos mínimos do mercado, recursos humanos, gestão, concorrência, ética, liderança. Abrem o seu negociozinho assente num número reduzido de clientes, contratam um ou dois empregados com formação (mas miseravelmente pagos), transferem para estes a responsabilidade de fazerem o trabalho que eles próprios não fazem e ficam à espera que o fruto caia.
Só que o fruto não cai, porque sentem-se ressabiados ao reconhecer superioridade profissional nos empregados e como são eles que mandam (mal, mas mandam), acabam por boicotar o seu próprio negócio não aceitando ideias e ferramentas que poderiam significar inovação e desenvolvimento.
Para bem do país, não deveria ser permitida a criação de empresas sem primeiro dar alguma formação aos (ir)responsáveis.