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30/09/2008

Sem resposta

Não me lembro onde li qualquer coisa assim "Não sei o que me causa mais dor, se a ideia de tu morreres e eu sobreviver com esse sofrimento, se a do teu sofrimento quando eu morrer e ficares sem mim".
Não sei se me doeria mais a tua dor, se a minha.

18/09/2008

Nem sempre onde há luz está o ouro

Um jovem vendedor ambulante de tomates queria subir na vida. Respondeu a um anúncio para contínuo de uma grande multinacional . Foi à entrevista. No final comunicaram-lhe que a resposta lhe seria enviada via e-mail. Ele disse que não tinha computador, nem e-mail. Foi automaticamente excluído.
Durante esse mês a raiva deu-lhe para trabalhar. Vendeu tomates que sei lá... Um cliente, empresário, gostou dessa fuçanga e propôs-lhe um negócio em sociedade. E assim foi. Passado dois anos a empresa já está no ranking das 3 melhores do mundo em enlatados do género.
Quem sabe se ele tivesse e-mail, hoje seria contínuo.
(autor desconhecido)

16/09/2008

Dia do pai

86 anos. Órfão de avós, de pai, de mãe, de mulher, de primos, de tios, de amigos, de colegas. Pergunto-me de que tipo de massa será feito para ter sobrevivido a tantas perdas, tantos embates, tanto sofrimento, e continuar de pé, firme, íntegro, autónomo, saudável, equilibrado, sensato, lúcido, tão lúcido..., e tão humanista. E concluo que essa massa é o amor. Que o nutriu, que nos nutriu.
Também para si, querido pai, o meu amor e a minha gratidão.

04/09/2008

Linha feita, avance-se para bingo

Hoje é o meu dia. E não é por vaidade, nem excesso de auto-estima, mas espero que no mínimo toda a gente me telefone, envie e-mails e sms. Sabe bem sentirmos que de alguma forma a nossa presença é justificada neste planeta.
Mas nestes dias, há sempre um pensamento que me ensombra: se será ou não o meu último ano. Não é dramatismo, nem pessimismo, é que a vida é mesmo assim. Nunca se sabe...
As pessoas mais velhas têm o hábito de dizer isso. Os meus pais diziam muitas vezes, nos aniversários, nos Natais, nas passagens de ano... E um dia acertam e a coisa acontece. Já aconteceu à minha mãe, há-de acontecer a mim, a nós todos.
Ui, acho que estou a ficar velha (acho...)
Whatever, feliz ano novo para mim!

29/08/2008

Não quero ficar

Voltei só para dizer que não quero ficar. Não quero a intolerância nem a inimizade, a falta de doçura e de humanidade. Não quero o tratamento de pessoas como objectos pessoais, úteis em algumas horas e descartáveis nas demais.
Não, não quero ficar. Não quero assistir ao engano, à ilusão, nem ouvir palavras sem doação. Não quero calar a agonia e o medo. Não quero estrangulamento, nem castração.
Não, não quero ficar. Não quero ser um bicho amestrado que se deita, levanta e sai, fiel ao treinador. Não quero submeter-me a nada que não seja expressão de amor!
Não, não quero ficar. Não quero mendigar escuta, ternura, respeito; não quero pedir nada que já seja meu por direito. Eu sou ser com alma, humana, inteligente, não quero perder-me numa espiral demente.
Não, não quero ficar. Não quero que qualquer acto ou opinião levante muros de fúria e agressão. Não quero ter que pedir licença para me envolver, viver, falar, respirar, amar...
Não, não, não. Assim não quero ficar!

30/07/2008

Virar a página

Mais um percurso que terminou, um outro começará a seu tempo. Não sei se deverei falar em descontentamento ou em alívio. Praticamente desde o início sabia que este projecto era inviável, que mais cedo ou mais tarde colapsaria. Mas no final há sempre uma parte de nós que clama por um recomeço, numa tentativa utópica de mudar o curso das coisas.
Não há nada mais improdutivo, mais infértil, mais angustiante, do que querer mudar o que já foi com o "se". Se tivesse sido de outra maneira não seria desta, obviamente.
Nos últimos quatro anos, envolvi-me em três projectos profissionais de "vão de escada", geridos por empresários de "trazer por casa", de ignorância prepotente e visão umbilical. Nenhum deles foi um projecto de sucesso, mal davam para garantir ordenados no final do mês.
Imagino que aquilo a que chamamos tecido empresarial português, seja composto maioritariamente por estas empresas de cariz doméstico e familiar, que abrem e fecham sem qualquer impacto positivo na economia nacional. O nosso país está cheio de empresários que nem sabem o que uma empresa é, porque nunca trabalharam em nenhuma a sério. Não têm os conhecimentos mínimos do mercado, recursos humanos, gestão, concorrência, ética, liderança. Abrem o seu negociozinho assente num número reduzido de clientes, contratam um ou dois empregados com formação (mas miseravelmente pagos), transferem para estes a responsabilidade de fazerem o trabalho que eles próprios não fazem e ficam à espera que o fruto caia.
Só que o fruto não cai, porque sentem-se ressabiados ao reconhecer superioridade profissional nos empregados e como são eles que mandam (mal, mas mandam), acabam por boicotar o seu próprio negócio não aceitando ideias e ferramentas que poderiam significar inovação e desenvolvimento.
Para bem do país, não deveria ser permitida a criação de empresas sem primeiro dar alguma formação aos (ir)responsáveis.

18/07/2008

A sobrevivência dos Lisbon Players

Esta fantástica companhia de teatro inglesa tem a sua existência ameaçada, estando a correr uma petição no sentido de manterem o seu teatro. Como reforço, vai ser organizada uma festa para angariação de fundos, em Outubro. Todas as colaborações com qualquer uma, ou ambas as iniciativas serão concerteza bem vindas!

OUR THEATRE UNDER THREAT
We continue our vigorous opposition to plans than would mean the loss of our theatre. We depend on you, our audience and friends, to support us. We believe that the Lisbon Players continues to be a vital and irreplaceable part of the Lisbon cultural scene. Keep in touch with latest developments and add your name to our online petition.
http://www.gopetition.com/petitions/save-the-lisbon-players.html

OCTOBER PARTY

The Lisbon Players is planning a fund-raising party with entertainment for two evenings in October combined with an open day to show those interested something of the theatre, its functioning and its history. If you are interested in contributing your musical, organizational or dramatic talents send an email lisplayers@gmail.com or call 96 447 5745.

Talvez sem juízo...

O amor existe e é lindo vê-lo por aí por todo o lado, à espera de ser encontrado. Ele manifesta-se de várias formas, esconde-se, espreita, dá-se a conhecer, avança, recua e às vezes exaspera, desespera, confunde! Conseguiremos reconhecê-lo?
Quando queremos muito encontrá-lo, sim. Mas depois quando ele se instala e nos absorve por inteiro, vem o medo da entrega que ele exige e os nossos mecanismos de defesa disparam logo: “Ai, se calhar é paixão ou dependência de afectos, e não amor...”, também “pode ser só uma necessidade do ego e não um sentimento puro de um coração crístico...”, ou ainda “e se em vez de um encontro de almas gémeas for o de almas carentes e necessitadas à procura de um elixir terapêutico?”.
Mas o amor pode ser/ter tudo isto, ou não pode?
Pois ... a dúvida é necessariamente fruto da actividade racional e da insegurança, mas a partir do momento em que ela se instala o amor está “feito”... porque é questionado, amputado, cortado às tirinhas!
Gostamos de acreditar naquele padrão celestial que diz que o amor que é amor nunca se questiona: ele É, simplesmente, e é benigno, pacífico, transformador.

Muito bem. Mas tal como nós, gente dividida entre o celestial e o terreno, o amor também tem lá o seu lado humano com laivos de imperfeição e de inquietude. E na verdade, nada do que é transformador é muito pacífico...
Fomos sempre levados a considerar que o amor, per si, é sério, responsável, adulto, maduro e sabe sempre qual é o melhor caminho.
Mas... e se ele não tiver juízo?!

15/07/2008

O lugar da vírgula

Se tivesses que pôr uma única vírgula nesta frase, onde seria?

"Se o homem soubesse o valor que tem a mulher andaria de rastos à sua procura."

08/07/2008

A história das coisas

Reservem 20 minutos do vosso tempo para ver este vídeo, que vale bem a pena. Fala-nos do sistema que mantém a sociedade de consumo activa e do conhecimento que temos que ter sobre a sua dinâmica para que possamos mudar mentalidades e construir um outro sistema mais equilibrado, saudável e justo.

http://video.google.com/videoplay?docid=-3412294239230716755&hl=en

04/07/2008

A dança da vida

Valsa, samba, salsa e tango,
Cada dança tem seu passo;
Fraco, allegro, forte, largo,
Tudo gira ao seu compasso.
Pratos, palmas, pés, djambés,
Sons volteiam pelo espaço,
Soam ritmos livres, soltos,
Suam corpos sem cansaço.


Polka, rumba, cha-cha-cha,
Cada dança tem seu tempo,
Um dois três, avança, pára,
Há quem gire a contratempo.
Gaita, risos, guizos, chistes,
Rodopio ou ritmo lento,
Trás, recua, frente, segue,
Tombam corpos sem lamento.


Gentes, vozes, gestos, gritos,
Sonhos, vontades, desejos,
Rotinas, loucuras, mitos,
Abraços, mãos dadas, beijos.
Tantas voltas, tantos passos,
Tanto esforço em cada avanço,
Atropelos, retrocessos,
Vitórias, perdas, balanço...


É a dança da vida, a vida na dança,
A dança vivida cheia de pujança!
É a vida na dança, a dança da vida,
Cheia de pujança a dança vivida!

26/06/2008

A caixa de Joel

Sei que houve andorinhas que contrariamente à sua natureza, começaram a voar sem formação. Fazia muito calor. Tudo estava em mudança e os bichos desnortearam, coitados. Parece que os seus sensores deixaram de estar em sintonia com as estações. Os seus vôos tornaram-se rasteiros e circulares. Os ninhos, tantas vezes construídos nos alpendres, desapareceram. Alguns foram vistos próximos de lixeiras. O ar era denso demais e as andorinhas já não conseguiam voar alto, nem longe, para ir buscar raminhos e ervas.Também já quase não os havia, essa é que era a verdade.

Tinha havido um senhor que disse que infelizmente isto ía acontecer. Também falou de outras espécies que íam acabar por desaparecer. Até de nós, pessoas. Que um dia não teríamos sombra para nos abrigarmos, nem água para nos tirar a sede, que os rios íam secar, as planícies desertificar, o gelo derreter... E mais uma série de coisas pouco animadoras...

Uns levaram isso a sério, outros, menos. Os que tiveram medo que isso pudesse ser verdade, disseram "não acreditamos em bruxas, mas que as há, há!", e foram agindo para evitar toda aquela desgraça. Os outros, que eram mesmo muitos, não se preocupavam com o assunto e às vezes até faziam coisas graves sem pensar. Se calhar achavam que já cá não haviam de estar, ou que quem cá estivesse que se preocupasse, que não era por causa deles que o mal haveria de acontecer. Não sei bem, não faço ideia o que pensavam.

Sei que havia pessoas que não separavam o lixo, outras que deixavam carregadores ligados quando não estavam a carregar, e que também deixavam a televisão com uma luzinha sem a desligarem no botão. Também sei de muita gente que tomava banho e deixava a água correr, correr..., mesmo quando não precisavam. Havia mais negligências, eu sei, muitas mais! O avô Joel deixou-me tudo escrito. Mas se estes pequenos actos eram tão complicados de evitar, posso imaginar como deve ter sido difícil lidar com os grandes!

Mas a certa altura compreendeu-se que era mesmo preciso ajudar e pensar nas coisas a sério e isso foi o suficiente para evitar muitas desgraças!

O meu avô deixou-me uma caixa com o nome "Caixa de Joel", onde pôs fotografias, recortes e mais informação sobre animais e plantas que não foi mesmo possível salvar e que deixaram de existir. Mas o que eu queria mesmo era tê-los conhecido de verdade! Ele disse-me que há muito tempo, também houve um senhor que soube que ía acontecer uma catástrofe parecida e guardou muitos animais numa Arca, para que os netos pudessem vir a conhecê-los.

Mas o meu avô não conseguiu...

20/06/2008

O dia em que a borboleta voou

Faz hoje três anos. O meu irmão chegou junto de nós e lemos-lhe o olhar. Abraçámo-nos os quatro em círculo e ele disse com um sorriso triste mas tranquilo "A borboleta já voou". Foi o último a estar com ela.
Ali, naquela maca do S.O., ela esperou o seu bem amado, o mais novo, o único rapaz, e na sacralidade da pequena intimidade que tanto pedimos e que as circunstâncias permitiram, foi ele quem a ajudou e a viu partir.
Guardo desse momento uma lembrança de alívio, de justiça, de bonomia. Nunca me revoltei com a sua morte. Antes pelo contrário, considerei-a uma benção. O que me revoltou foi o seu sofrimento, a forma como foi descurada nos últimos dias (coincidentes com um fim-de-semana), sem ter sido monitorizada 24 sobre 24 horas, como seria de esperar. Era doente cardíaca e apesar de estar a ser minada por metástases, o que a matou foi um enfarte.
Digo, com a comoção e a apreensão do que sei que motiva um ser nos seus momentos terminais, que a morte pelo coração foi o seu derradeiro acto de Amor. Foi esse acto de amor que lhe permitiu ser transferida de uma enfermaria tumultuosa para o S.O., onde a sua morte não foi espectáculo, nem prato cheio para voyeuristas, mas antes pelo contrário, onde pôde partir com a dignidade, a privacidade e a sacralidade que merecia e que nos era a todos tão cara.
Há três noites sonhei com ela e percebi que este ciclo terminou. Alcançou o inatingível.
Para sempre, a eternidade.

16/06/2008

O mestre e o escorpião

Um mestre oriental viu que um escorpião estava a afogar-se e decidiu tirá-lo da água; mas quando o fez, o escorpião picou-o. Reagindo à dor, o mestre soltou o animal e ele caiu de novo à água, afogando-se. De novo o mestre tentou tirá-lo e mais uma vez o animal picou-o.
Alguém que estava a observar a cena aproximou-se do mestre e disse: "Desculpe-me mas o senhor é teimoso! Não vê que todas as vezes que tentar tirá-lo da água ele irá picá-lo?".

O mestre respondeu: "Ele age de acordo com a sua natureza. A natureza do escorpião é picar e isso não vai mudar em nada a minha natureza, que é ajudar".
Então, com a ajuda de uma folha o mestre tirou o escorpião da água e salvou-lhe a vida.

Não mudes a tua natureza se alguém te magoar; apenas toma precauções.

Autor desconhecido