25/04/2009
A visita
06/04/2009
Desafio vencido
Ía com receio, confesso, apesar da minha agilidade, flexibilidade e boa vontade. A notícia da morte da filha da Vanessa Redgrave ainda estava muito presente. Ela tinha a minha idade.19/03/2009
Mankind is no island
O Tropfest é o maior festival de curtas metragens do mundo. Começou há 17 anos em Sydney e no ano passado teve a sua primeira edição em Nova York. O vencedor foi este filme totalmente filmado com um telemóvel, com um orçamento de 40 dolares (cerca de 20 euros).
16/03/2009
Lugares de ódio
Um lugar para o amor
Anteontem, numa entrevista sobre uma peça em cartaz, ouvi o João Mota dizer que "nos dias de hoje ama-se muito pouco". É verdade, ama-se pouco, e mal, o que é amável verdadeiramente.A cultura urbana continua a amar demais o que não se leva para a cova e que não engrandece esta experiência de vida. Ama-se o superficial, os sinais exteriores, o status, o umbigo, a adulação, a auto-imagem. Ama-se a dissimulação, a mentira, as máscaras sociais, o jogo do oportunismo e do tirar partido, a visibilidade a que preço for. Ama-se muito uma pretensa esperteza e inteligência que anda a vigorar de forma prepotente e que tem as suas bases não na sabedoria, mas numa cultura informativa descartável diariamente, não no sentimento e sensibilidade, mas no raciocínio cartesiano e numa lógica matemática completamente desligados do núcleo emocional, não no humanismo de partilha e dádiva, mas num humanitarismo artificial, criado politicamente, no qual a solidariedade não é uma acção mas um conceito utópico, ou mesmo uma arma de luta em nada filantrópica.
Deixemo-nos de tretas. O amor embaraça. Há até quem o esconda e não é por medo que seja roubado, não; é por intimidação mesmo. Muitos olhos preferem ver o amor como uma fraqueza de espírito, porque o amor como força vital exige mudança, acção, transformação; é isso que nele intimida e amedronta. E a nossa resistência à mudança, profunda, brutal, irascível, rejeita-o na revolução e na verdade que ele exige.
Privilegia-se muito a agilidade mental, o discurso cerebral, a eloquência verbal. Toda a retórica política assenta aí. Os debates parecem-me festivais discursivos. Cada um tentando ser mais convincente do que o outro na busca de argumentação acusatório-defensiva.
Tão pouco inovadores, tão pouco originais, tão pouco convincentes humanisticamente. Tudo me soa a falso. Tudo me cheira a egos exarcebados.
Nada me convence (e provavelmente o mal estará em mim...) que sejam estes políticos cerebrais capazes de nos fazer sair desta crise social, moral, espiritual.
Como é que um político com uma mente completamente dissociada do sentimento poderá ser verdadeiro?
Para mim, e a menos que surja algum Mestre, a política patriarcal já deu o que tinha a dar. Apraz-me ver lugares de destaque ocupados por mulheres. Não sei se serão estas as mulheres; mas é a energia feminina a abrir caminho que me interessa, a que consegue aliar sentimento e razão e unificar pensamento, discurso e acção.
Precisamos de uma política que saiba nutrir, que saiba ouvir. Que seja menos orgulhosa, que saiba perder em razão para ganhar em paz. Que seja sentimental.
E só mesmo a mão do feminino encontrará na política um lugar para o amor.
06/03/2009
In Memoriam
01/03/2009
A tasty ragu
This is the new production of the Lisbon Players Theatre Company: Saturday Sunday Monday, by Eduardo de Filippo, directed by Luciano Nobre.Set in Napoli in 1958, Dona Rosa, the family matriarch is making her famous ragu for Sunday Lunch.
But not all is well in the the house....
A tasty play, it seems...
Starting on the 3rd of March will run for two weeks from tuesday till sunday at 9pm. Sundays at 5pm.
Reservations: 21 396 19 46
More information: http://www.lisbonplayers.com.pt
28/02/2009
I Congresso Internacional sobre o Planeta Terra em Portugal
Pela primeira vez em Portugal, vai realizar-se o CONGRESSO INTERNACIONAL DE SINCRONIZAÇÃO COM O PLANETA TERRA, que se pode equiparar, em dimensão e qualidade, a outras iniciativas do género organizadas, por exemplo, nos Estados Unidos ou no Brasil.Foram convidados pensadores e cientistas de renome internacional que aderiram de imediato e com grande entusiasmo ao convite.
Num ano de grandes transformações sociais e individuais este evento será certamente único e inesquecível.
É altura de pensar e intervir colectivamente.
20/02/2009
Um lugar que todos querem
Amor à arte, amor à escrita, amor ao teatro... o teu amor feito obra, a tua obra feita espectáculo por todas estas pessoas que lhe dão corpo e vida.17/02/2009
Meu limão, meu limoeiro...
uma vez tindôlêlê,
outra vez tindôlálá...
Em dias como hoje, quando abro a janela que dá para o quintal chega-me amornado pelo sol o aroma do limoeiro, perfumado e doce... Doce, como não é o seu fruto.
Inspiro-o longamente, sinto-o derramar-se em mim, envolvendo cada célula e, num repente, abrindo portas da memória.
A memória é celular, ensinaram-me.
E lá íamos nós, miúdos, com mil canções debaixo da língua, que a nossa mãe nos ensinava. Vínhamos a cantar desde Lisboa. Não importava se a viagem era curta ou longa, tínhamos esta fórmula mágica: cantávamos sempre porque assim não enjoávamos e o tempo passava mais depressa.
Era ali, naquela curva apertada do Arraçário, onde o carro quase parava para poder contorná-la, que os limoeiros nos esperaram sempre, leais e plácidos, ao longos dos anos.
Vínhamos desde lá de cima com aquela excitação infantil, alegre, ansiosa, e gritávamos “olh’ós limoeiros!”. Abríamos as janelas na descida, inalávamos aquele ar puro, abríamos bem as goelas e lançávamos a nossa cançoneta a plenos pulmões,
Meu limão, meu limoeiro,
meu pé de jacarandá,
uma vez tindôlêlê,
outra vez tindôlálá...
O nosso pai abrandava a marcha e curvava lentamente, bem mais do que era necessário, para nos prolongar o tempo dos intermináveis encores. E depois ríamos, ríamos muito, todos.
Nunca soube exactamente o que era o tindôlêlê e o tindôlálá, mas sei que nesses momentos éramos felizes.
30/01/2009
Dores de crescimento
Nós, os únicos responsáveis pela forma como a sociedade se estrutura, nós os agentes e refreadores do consumo, nós os predadores e defensores do planeta, nós os geradores das nossas alegrias e sofrimentos, nós os bons e os maus da fita.
A sociedade somos nós. É bom pararmos aqui por um bom bocado e reflectirmos sobre a forma como temos vindo a contribuir individual e colectivamente, ao longo dos anos, para a construção disto que é o mundo à nossa volta, que de uma vez por todas estamos a perceber que nem sequer serve os nossos interesses e necessidades. Este mundo que afinal nos desagrada.
Criámos e nutrimos a nossa obra, mas estamos descrentes dela. Ainda assim, uma parte de nós mantém-se presa nesse padrão que se revela inadequado, pernicioso e involutivo. Vítimas de nós próprios, de hábitos e modelos que construímos com as nossas mãos, e por nos julgarmos agora impotentes no antídoto, cedemos facilmente ao imobilismo e à inércia que advêem de uma enorme onda de desânimo criada por agentes sociais. Aprisionamo-nos numa ratoeira labiríntica e entramos em ansiedade e desespero.
O chocante caso da família Lupoe é um sintoma do desequilíbrio no qual estamos a submergir. Dizem os que se tomam por entendidos, que à medida que isto a que se chama crise global se for instalando (com a alarmante hipótese de o número de desempegados vir a atingir os 50 milhões no final do ano), vai aumentar em números lamentáveis a ocorrência destes casos de desespero existencial.
O que me parece essencial retirar deste exemplo trágico é uma tomada de posição firme que rejeite a multiplicidade do mesmo, ou seja, que substitua o pensamento ou o vaticínio de que este caso é apenas um de muitos que poderão acontecer, pelo pensamento criativo de que este caso é uma chamada de alerta para algo que recusamos como solução, e, como tal, que nos obriga a tomar consciência e trabalhar no sentido inverso. Temos seguramente dentro de nós os recursos necessários para inverter o rumo dos acontecimentos.
Urge confiarmos no nosso poder criativo e transformador. Urge transformar este cenário apocalíptico num cenário regenerador. Urge deixarmos de dar tanto valor a esta onda contagiosa de negativismo, de conflito, de desarmonia, de falta de esperança, que diariamente nos avassala e manipula, entrando-nos pela alma e pela casa adentro. Se nos deixarmos envolver pela perpectiva caótica, abrimos a porta à depressão e à ruptura.
A informação é necessária à mudança, à tomada de consciência do real, mas vale o que vale e apenas lhe podemos dar o crédito da nossa atenção, e nunca cedermos-lhe em poder. O que fazemos com ela é que tem poder, o nosso pensamento tornado acção é que tem poder.
Há alguns anos deixei de ver novelas porque me pareciam todas iguais, portadoras da mesma visão, dos mesmos modelos. Mudavam os actores, os espaços, alteravam-se guiões, mas salvo raríssimas excepções, o conteúdo era idêntico. Se via um episódio por semana ficava a saber o enredo todo, de tal forma era previsível o argumento. Quantas vezes não ouvimos dizer que eram autênticas lavagens ao cérebro, que não edificavam, que embruteciam e mediocrizavam o espírito, que mantinham os espectadores reféns de uma manipulação, de um ópio intelectual?
Lamento, mas é o que sinto face à informação económica, social e política que nos disponibilizam diariamente.
Diariamente somos confrontados com o pior da sociedade, com as situações mais dramáticas e extremas da natureza humana. Diariamente somos ameaçados com e pelo medo, sem qualquer compensação de reforços positivos.
E ao longo dos anos, à força das imagens corrosivas se irem apropriando de nós – a guerra, o terrorismo, o crime, a corrupção, a mentira, a hipocrisia, o oportunismo, e tantos eteceteras mais – deixamo-nos amarfanhar, vamos tornando-nos pequenos e passivos, crentes de que somos vítimas, quando na verdade todos somos cúmplices de alguns algozes.
Ora, o que tem de grande a pequenez? O que ganha o mundo por querermos parecer que somos pequenos? Porque somos paus mandados? Que receceio é este que nos domina e tolhe, que nos faz optar por vivermos escondidos atrás de máscaras, marionetizando-nos, impedindo-nos de sermos a nossa essência, de exercermos a nossa grandeza e unicidade, de sermos construtores activos e positivos de um paradigma superior, de termos força, esperança, crença em nós mesmos? Assim demitimo-nos, demitimo-nos e cedemos o nosso poder.
Há uns dias alguém comentou que a “crise” encerra a sua solução. Se lhe tirarmos o “s” temos o imperativo necessário à mudança: crie.
É a este acto de criação que nos precisamos de colar para transformar esta realidade que nos ensombra. Só que na verdade o que está em causa não é a acção sobre a realidade exterior. O que está em causa é agir criativamente sobre o que deu origem a essa realidade exterior: nós. É por aqui que se faz o recomeço, somos o ponto de partida.
Não há transformações pacíficas. Experimentem inverter o curso de um rio para sentirem a força da tendência, a resistência, a convulsão que se gera.
23/01/2009
Beijos
Beijos de amor, beijos de amantes, beijos de amiga, beijos de noiva, beijos de homem e de mulher. Beijos de mar, beijos de vento, beijos de rua, beijos que envolvem, beijos que dançam, beijos que voam, beijos sonhadores, beijos coloridos. Beijos alegres, beijos que aquecem, beijos que perdoam, beijos doces, beijos demorados, beijos serenos. Beijos de mãe, beijos de filha, beijos de pai, beijos de irmão, beijos de avó, beijos sem idade. Beijos no cabelos, beijos na mão, beijos no rosto, beijos na boca, beijos no corpo. Beijos de paixão, beijos que arfam, beijos que excitam, beijos que sorvem, beijos quentes, beijos molhados, beijos de fogo, beijos de vida, beijos de macho e de fêmea. Rua sonâmbula
A tua alma flutua,
e escandalosamente nua invade a rua,
deixando no ar o cheiro dos teus cabelos.
Na sonâmbula rua, que é tão tua,
revejo os momentos passados entre os teus braços e os meus.
O calor dos teus afectos ainda palpita no meu peito,
como se fora tatuagem esculpida por um anónimo deus.
Quais outros braços aconchegam-te
nas noites que já foram nossas?
Quais outros lábios sussurram nos teus ouvidos
os segredos que já te contei?
Vou dormir e sonhar!
Minha alma irá ao teu encontro
e numa esquina qualquer dessa rua que é tão tua,
se fundirá com a tua alma.
E juntos habitaremos a cidade,
fantasmas que somos de um tempo que já passou.
21/01/2009
Sem sintonia
As pessoas às vezes não se entendem. E em cada desentendimento há uma impossibilidade de contacto.
Não entrando em contacto, não se sentem, não se sintonizam na mesma frequência. É um grande fracasso de comunicação.
Muitas vezes vivem na convicção de que comungam os mesmos princípios e valores. E só o tempo e a maturação revelarão que eles, afinal, colidem.
Mas ainda assim, une-as o afecto. E por ele criam o pensamento “milagroso” de que as dificuldades são transponíveis per si, não percebendo que isso ainda dificulta mais uma comunicação efectiva e realista.
Têm consciência da presença de uma certa tristeza causada por essa dificuldade, mas ela é encarada como natural, como se fosse parte integrante do próprio crescimento relacional.
De facto isso é verdade quando a comunicação possibilita-lhes uma interacção e convivência saudáveis, espontâneas, e a tristeza surge ocasionalmente como reacção a obstáculos.
Mas quando a comunicação falha não se geram cumplicidades, a resolução das diferenças é dificultada, a tristeza torna-se permanente.
E assim se instala a ansiedade e a frustração de se estar com alguém que não se sente perto. Que talvez não esteja sequer próximo.
